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Fecho dos mercados: balanço do que aconteceu em janeiro


Poucos investidores esperavam um ano tão nefasto nos mercados financeiros. As perdas em janeiro têm sido muito significativas, sobretudo nos mercados de ações, onde os principais índices têm sofrido importantes descalabros em consequência da crise chinesa, da queda dos preços do petróleo e das dúvidas sobre o sistema financeiro. O S&P 500 regista perdas de 7%, muito similares às acumuladas pelo EuroStoxx 50 (7,7%). Dentro da Europa, observou-se uma grande dispersão. Os mercados onde o peso das empresas exportadoras ou com negócios com uma alta exposição aos emergentes é maior, como é o caso do DAX ou o Ibex 35, foram os mais castigados. A bolsa alemã encerrou o mês com perdas na ordem dos 10%, enquanto que a espanhola caiu 8,3%. Milão, o mercado mais ‘bull’ de 2015, foi também o mais ‘bear’ de janeiro (-13%). O CAC 40 parisiense ou o FTSE 100 londrino, foram os menos penalizados do mês, com descidas de 6% e de 4%, respetivamente.

“Os tempos de lucros fáceis e de duplo dígito no mercado de ações globais terminou. Tendo em vista o futuro, prevemos um retorno anual entre 5% e 6%, metade do qual virá por via dos dividendos”, assegura Kirill Pyshkin, gestor do fundo Global Equities High Income da Mirabaud Asset Management. O caos de janeiro de 2016 nos mercados de títulos não foi uma total surpresa. Depois das correções de agosto, que “ficaram” com grande parte dos lucros conseguidos nas ações durante o ano, alguns dos especialistas já auguravam que a situação poderia voltar a repetir-se. Na verdade, em dezembro de 2015, Mark Burgess, diretor de Investimentos para EMEA e diretor global de Ações da Columbia Threadneedle Investments, avisou os investidores de que “estamos mais perto da próxima crise do que da crise passada”, e que a desaceleração da China “era a ameaça mais provável”. Perante o vivido em agosto, alguns gestores decidiram reduzir significativamente o risco das suas carteiras. Foi por exemplo o caso de Edouard Carmignac Rose Ouahba.

Face a isso, os especialistas mostram-se convencidos de que, neste cenário de volatilidade e incerteza, é importante manter a calma e continuar a investir, mesmo que estejamos perante uma mudança de ciclo. Para fundamentar a sua recomendação apoiam-se em inúmeros estudos que demonstram que manter um investimento a longo prazo é sempre uma estratégia mais rentável do que tentar antecipar qual será o comportamento do mercado em cada momento. “O pior que se pode fazer durante uma fase de vendas é tentar cronometrar o mercado. Quando os investidores tentam acertar com os tempos de mercado e entram e saem dos seus investimentos, correm o risco de debilitar as rentabilidades futuras, já que se podem perder os dias de maior recuperação do mercado e das oportunidades de compra mais atrativas que geralmente aparecem em fases de volatilidade”, sublinha Sebastián Velasco, diretor geral da Fidelity para Ibéria.

Segundo explica Rubén García Paéz, diretor geral de Ibéria e América Latina da Columbia Threadneedle Investments, a estratégia de comprar e manter permite tirar proveito da taxa composta (quando se geram lucros sobre lucros anteriores) para ampliar a rentabilidade, mas isso só funciona se der tempo ao dinheiro investido para que gere rentabilidade. “No entanto, alguns investidores de longo prazo, investem com regularidade, aumentando esse investimento de forma gradual para beneficiarem do “custo médio do dinheiro”. É por esta altura que o dinheiro investido permite comprar um maior número de ações num investimento onde os preços caem, provocando retornos maiores sobre o investimento se acontecer uma recuperação. Dito de outra forma, em alturas como esta – onde o valor das empresas tem caído de forma tremenda – os investidores regulares serão capazes de comprar mais com o seu dinheiro”.

Os gestores mais experientes também seguem a mesma linha de pensamento. Robert Hackney, diretor executivo da First Eagle e um dos gestores mais reputados da indústria, deixou isso muito claro recentemente. “A paciência é a cobertura perfeita para a volatilidade”, assegurava o sócio norte-americano da Amundi recentemente.  Esta ideia não se aplica apenas ao mercado de ações. Também ao de obrigações. Em janeiro surgiu um claro exemplo disso com o high yield. O índice Markit iBoxx USF Liquid High Yield Index (em dólares) chegou a acumular em meados do mês uma queda de 4,5% em preço, percentagem que agora é de 1,5%. Três pontos de diferença que têm sido alterados em apenas 10 dias. Depois de 18 meses em que os fluxos de saída foram constantes no mercado de dívida high yield, muitos investidores começam a questionar-se se o cenário mudou e se agora convém serem construtivos. Pelo lado negativo, espera-se que os defaults aumentem de maneira significativa, fundamentalmente entre as empresas energéticas. De um prisma mais positivo, aponta-se a proteção que oferece o cupão perante uma variação de 1% da TIR.            

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