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“Explorar a fundo a contribuição dada pelo risco”


“Ganhar mais com as subidas, do que aquilo que perde com as descidas”. Este é um dos subjacentes do DWS Concept Kaldermorgen, da Deutsche Asset & Wealth Management, cogerido por  Gunnar Friede, que há dez anos faz parte da equipa do próprio autor do produto: Klaus Kaldemorgen.

Sem um benchmark definido, este fundo de autor apresenta-se, portanto, como sendo um produto sem limitações que investe nas várias classes de ativos disponíveis. Ainda, assim, à Funds People Portugal, Gunnar Friede fez questão de sublinhar que “estão curtos no risco, apresentando um maximum drawdown de 10%, e uma volatilidade que não deve exceder os 10%”.

Com este enfoque bastante marcado no controlo do risco, o cogestor do fundo explica que na equipa existem dois profissionais exclusivamente dedicados à gestão do risco. “Somos de facto muito capazes de atuar na limitação do risco e em mantê-lo sob controlo”, refere. “Desenvolvemos um mecanismo próprio de gestão de risco o que aumenta a nossa visão de mercado de querer gerir da melhor forma os riscos indesejáveis”, explica.

Diferenciação face a produtos homólogos

Também no processo de investimento do fundo a componente “risco” é sobreposta a outras. Só depois, diz Gunnar Friede, aparece o lado da alocação de ativos. “Na perspetiva atual o fundo tem cerca de 50% alocado a obrigações e mais de 50% a moedas estrangeiras. Precisamente uma das estratégias que acrescenta diversificação à carteira são as divisas. “Por exemplo, quando se está longo no mercado europeu e curto no mercado americano, há tipicamente uma correlação negativa numa base global”, indica. Assim, a estratégia do gestor passa por tentar atingir uma correlação positiva ou negativa nas moedas e depois “jogar”  com as posições longas e curtas. “As estatísticas do fundo demonstram que temos uma correlação fraca com o resto das classes de ativos e nos diferenciamos de outros produtos homólogos”, sublinha, acrescentando que o que estão a tentar atingir neste momento é “uma correlação positiva com as ações, mas com o mínimo drawdown possível”.

Curtos no dólar

Ainda na parte cambial, o gestor refere que depois da crise nos mercados emergentes, encontrou “boas notícias” nas moedas de alguns desses países. “Implementámos a estratégia de estar longos no real brasileiro, e curtos no dólar, desde há dois meses; comprámos também obrigações em lira turca de forma a participar na desvalorização da moeda, por um lado, e no diferencial da taxa de juro, por outro”, explica.

Apresentando uma baixa volatilidade e um alto retorno comparando com outros produtos semelhantes, o cogestor do fundo destaca que “os fatores diferenciadores passam por explorar a fundo a contribuição dada pelo risco, percebendo de onde é que esse risco pode estar a vir”.

1% de stop loss

No que diz respeito às posições de curto prazo, o especialista assegura que seguem uma política de ‘stop loss’ muito restrita. “Colocamos em prática uma sobreposição tática nos mercados, e por isso, estamos a falar de um target de perda muito reduzido, que se traduz em cerca de 1% de stop loss”.  Tal target, refere, tanto é aplicável a posições táticas, como estratégicas.

Perante esta abordagem, quando “chega a hora” de explicar qual a disciplina de investimento aplicada no produto, Gunnar Friede concorda que inicialmente começam por uma abordagem top down, que depois avança para uma  visão mais bottom up. “Temos uma visão top down, pois de outra forma não conseguiríamos gerir um fundo de multiativos globais. Começamos por analisar regiões, classes de ativos, tendências, sectores, moedas...”, enumera. No entanto, depois, “obviamente temos que combinar esta análise com uma perspetiva bottom-up”, conclui.

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