Estratégias úteis para cobertura do ‘tail risk’


São duas as estratégias direcionais de volatilidade, as apresentadas pela Amundi numa recente visita a Lisboa. Alexandre Drabowicz falou de dois fundos da casa - Amundi Funds Absolute Volatility World Equities e Amundi Funds Absolute Volatility Euro Equities – caracterizados pela sua gestão dinâmica da volatilidade. Isto porque considera que “o que tem correlação negativa com o mercado acionista é precisamente a volatilidade”. Realmente é em cenários de maior ‘agitação’ nos mercados que estes fundos tendem a ter melhor comportamento. Na verdade, isto foi o que aconteceu durante o verão, tendo, entretanto em outubro, assistido a um ligeiro recuo.

Na gestão dos dois fundos, tanto o que se foca na Europa, como o global, a equipa gestora parte de um cenário central que é o facto da “volatilidade ser, por si própria, volátil” para construir as carteiras. Contudo, convém dizer que este cenário de volatilidade volátil não é interpretado pelo head of development & investment specialists equity strategies como um cenário de crise. No entender do especialista, trata-se apenas de um enquadramento que oscila, mais frequentemente, entre o apelo ao risco (risk on) e o afastamento do mesmo (risk off). Concretizando, fala portanto de cenários “em que a volatilidade sobe devido ao nervosismo dos investidores perante questões como a situação na Grécia ou na China”. Todavia, a volatilidade tende a descer a posteriori porque eventualmente “os Bancos Centrais apresentam medidas que ajudam a economia para além de se mostrarem mais positivos relativamente ao mercado”, ou ainda porque “um determinado dado do PIB se revelou mais favorável”.

Jogando com posições longas e curtas em volatilidade, o processo de investimento adoptado é sofisticado e táctico. “Na construção do portfólio usamos opções e futuros com elevada liquidez e que estejam cotados. Não realizamos operações em OTC”, esclarece.

Atualmente, considera que as grandes incertezas em termos de volatilidade continuam a ser “os riscos de uma crise de liquidez, com a incompatibilidade entre a liquidez oferecida pelos bancos centrais e a capacidade dos atores de mercado de absorverem os fluxos entre classes de ativos, bem como o alargamento dos spreads de crédito nos EUA”. Outra das incertezas no mapa de 2016 tem que ver com o impacto das ações dos Bancos centrais. O profissional nomeia por exemplo “o risco de escalada de determinados factos”, como por exemplo “a guerra cambial, ou o ciclo de subida de taxas pela Fed”. No que diz respeito ao crescimento económico, nomeia riscos como o “abrandamento no crescimento global, especialmente na China, com o risco de um hard landing a trazer para cima da mesa divergências entre os países emergentes e ‘reprecings’ mais severos dos EPS comparativamente com os que têm tido lugar até agora”. Não esquece, ainda, de apontar os riscos geopolíticos, que se afiguram com a Rússia e o Médio Oriente.

Boas ferramentas

A título de conclusão, Drabowicz admite que estes dois fundos podem funcionar numa carteira como fontes de diversificação e descorrelação com os demais mercados e classes de ativos, assim como constituem uma útil ferramenta para cobertura dos riscos de cauda da curva de rendimentos.  Reitera, por isso, a ideia de que, no último ano, apenas quem investiu em volatilidade, conseguiu obter uma correlação negativa com o mercado de ações.

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