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Estratégias de investimento no Brasil condicionadas pelo cenário económico


 

O baixo crescimento da economia brasileira está muito mais atrelado ao cenário de letargia da economia global, defendem as projecções mais optimistas. Este ambiente desafiador tem efeito directo sobre as estratégias dos gestores de fundos de investimentos brasileiros, que devem considerar mais intensamente os factores externos na hora de orientar a sua gestão de activos.

A Ásia passa por uma redução sensível nas taxas de crescimento, especialmente na China. A economia dos Estados Unidos experimenta uma recuperação lenta, enquanto a depressão económica na Europa se mostra persistente. "Tudo isto aumenta os desafios para o Brasil", referiu o professor de Economia da Universidade de Harvard, Martin Feldstein, que é também o presidente emérito do Escritório Nacional de Pesquisa Económica dos Estados Unidos no âmbito do 7º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento que está a decorrer em São Paulo.

“O governo norte-americano precisa aumentar as suas reservas e reduzir os gastos para diminuir o deficit. Porém, o cenário político do país não é muito bom,” disse Feldstein. O deficit público do país subiu de 2% do PIB há 10 anos para os atuais 7%, citou o economista de Harvard.

Na Europa, a Itália apresentava melhor desempenho na recuperação da economia, mas os resultados das últimas eleições desfizeram o optimismo, enquanto França continua a resistir a fazer reformas económicas. Espanha continua com um deficit público e desemprego crescente, e a Grécia continua “um desastre”. “Como investidores, vocês [gestores de fundos] devem preocupar-se,” disse Feldstein aos presentes no evento, segundo comunicado da ANBIMA.

Neste contexto global, é preciso fazer três questionamentos provocativos na economia brasileira, diz Rodrigo Azevedo, membro do Comité de Acompanhamento Macroeconómico da ANBIMA, ex-diretor do Banco Central do Brasil e sócio-fundador da Ibiuna Investimentos.

“Primeiro, será que os investidores estão preparados para conviver com uma taxa de juros real próxima a zero ou até mesmo negativa? E com os juros tão baixos no Brasil, o que acontecerá quando as taxas começarem a subir em todo o mundo?”, questionou. “Em terceiro lugar, já podemos pensar no possível cenário de depreciação do real, ao contrário da actual apreciação?", sintetizou Azevedo.

O diretor da ANBIMA e sócio-fundador da Mauá Sekular Investimentos, Luiz Fernando Figueiredo, afirmou que não há sinais de que a economia sairá do actual ciclo de baixo crescimento. “O juro real tende a ficar baixo por mais tempo”, afirmou. Perante o cenário de menores taxas de juros, uma das alternativas que se apresentam ao público são os fundos multimercado, segundo o diretor-superintendente do Bradesco Asset Management, Reinaldo de Grazie.

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