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Estarão os EUA a atravessar uma recessão?


Quando uma economia entra em recessão, o Produto Interno Bruto é o “último a saber”. Joshua McCallum e Gianluca Moretti, economistas da UBS Global AM, no seu último Economist Insights, começam por dizer que apesar de o PIB ser a medida oficial que retrata  o estado de uma economia, este indicador é “lançado tão tarde comparativamente com outras variáveis, que estas últimas acabam por ser as que demonstram verdadeiramente a situação atual”.

No primeiro trimestre do ano, depois de um inverno rigoroso, o PIB norte-americano foi revisto para valores mais fracos do que aqueles que se pensavam. “A queda do PIB no primeiro trimestre, foi a maior no período fora da recessão”, sublinham os dois especialistas, que lembram mesmo que este abrandamento foi, na verdade, maior do que aquele que o PIB registou durante a recessão de 2001. Impõe-se portanto a pergunta: os EUA estão a atravessar uma recessão?

Outros dados dão sinais de esperança

Joshua McCallum e Gianluca Moretti são coerentes: “Apesar da queda do PIB, outros  dados económicos têm-se saído muito bem”. Para além do mau tempo, existiram outros factores fora do comum, que tiveram influência no desempenho do Produto Interno Bruto norte-americano. “Historicamente, os episódios de mau tempo cortam cerca de um ponto percentual do crescimento do PIB, embora por vezes essa queda possa ser significativamente maior”, indicam.

O segundo factor foi o ajustamento nos stocks, que tirou 1,7% (anualizado) do crescimento do PIB. “É importante que os investidores se lembrem que as mudanças nos stocks adicionam bastante volatilidade ao PIB, mas que, no final de contas, têm pouco impacto sustentando”.

Problemas com o Obamacare

O terceiro factor enumerado pelos dois economistas é a forma como são tratadas as despesas de saúde no relatório do PIB. “A introdução do ‘Obamacare’ criou um desafio ao nível das estatísticas”, apontam, referindo que inicialmente se achava que as despesas na saúde iriam acrescentar 1% ao PIB. No entanto, posteriormente, a revisão das últimas semanas mudou esse valor para 0,2%.

Finalmente, o último factor apontado pelos dois especialistas da UBS Global AM foi o agravamento do saldo líquido das trocas comerciais, com as exportações a caírem e as importações a aumentarem. No entanto, Joshua McCallum e Gianluca Moretti avisam que estes números “têm pouco a ver com o que se passa nos EUA, e mais com os acontecimentos do resto do mundo”.

Em conclusão dizem: “Tendo em conta estes factores temporários, há boas razões para esperar que o PIB norte-americano recupere no que resta do ano”.                                                              

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