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Estarão a gerar-se bolhas? “Provavelmente sim, mas os níveis não são extremos”


Estarão a gerar-se bolhas? Esta é a pergunta que se colocam muitos investidores nos dias de hoje. Depois de analisar o mercado, a resposta da Fidelity Worldwide Investment é que provavelmente sim, apesar dos níveis não estarem no seu extremo”. Uma das questões mais habituais entre os investidores é se estaremos perante o fim de um ciclo de subida de 7 anos da Bolsa dos Estados Unidos. Embora surjam alguns riscos, na gestora consideram que existem boas razões para acreditar que a 'boa energia' do mercado ainda não se esgotou. A análise técnica realizada por Jeff Hichman, diretor de análise técnica e membro da equipa de alocação de ativos da entidade, revela que as tendências a médio-longo prazo permanecem intactas e que ainda não surgiram no mercado, graficamente falando, figuras que façam antever uma inversão de tendência, como se verificou nos picos de 2000 e 2007. “As perspectivas para as ações continuam a ser de valorização, com os movimentos dos preços a serem favoráveis na maioria dos principais mercados e pelo facto de existirem escassos sinais de formação de padrões típicos que prefiguram picos. Nem sequer a primeira subida das taxas de juro por parte da Fed perturbaria este cenário, já que história demonstra que a tendência de subida iria ser retomada passados uns seis meses de volatilidade com movimentos principalmente laterais, o que resultaria numa mediana de rentabilidade na ordem dos 5%, após um ano”, assegura.

Mas se o mercado norte-americano ainda tem margem para subir, isso significa que está a aumentar o risco de uma bolha? Alguns observadores temem que a inflação dos preços dos ativos alimentada pelo aumentos dos níveis de dívida dê origem a uma crise de mercado. Contudo, recentes estudos do Citibank demonstram que o cenário é improvável na maioria dos mercados, especialmente nas bolsas. No entanto, também dá relevância ao efeito perturbador das compras realizadas pelos bancos centrais nos principais mercados de obrigações. A partir deste ‘paradoxo de liquidez’, as distorções dos bancos centrais conduziram, de forma massiva, os investidores para posições semelhantes, o que tem puxado para cima as correlações (positivas) em pares com outras classes de ativos no período  2010-2014, em relação ao período 1997-2007 (até junho). 

“É provável que continuem a aparecer episódios de falta de liquidez cada vez que os novos dados macroeconómicos alterem as expectativas de intervenção dos bancos centrais, até que estes deixem de distorcer os mercados; também não é óbvia a forma como irão desenhar a sua saída dos mercados sem desencadear uma debandada”, indica Hochman. No que diz respeito ao mercado acionista, na Fidelity pensam que o caso mais preocupante reside na China. “A bolsa chinesa parece estar numa zona de bolha, embora a subida se atenue face à loucura de 2005-2007” Trata-se, segundo Hochman, “do único mercado que está a demonstrar claros sinais de bolha, apesar da margem de subida poder ainda não estar próxima do seu fim. Os lucros atuais mantêm-se marginais em comparação com vertiginosa subida de há uma década e as recentes quedas ainda não evidenciam os traços distintivos do padrão de 2007 que precedeu a um retorno em níveis menos elevados”. (Ver gráfico 1).

 

 

 

 

 

 

 

 

Contudo, na gestora assinalam que a subida do mercado de pequena e média capitalização faz pensar que se poderá produzir um indente, julgando pelo boom de OPV pelo qual 225 empresas foram colocadas em bolsa, durante este ano, com uma rentabilidade média desde a oferta pública de venda superior a 400% e um PER estratosférico de 92 vezes, apesar do crescimento médio do LPA ser de apenas 4% no ano anterior à entrada em bolsa. “Este mercado vale atualmente mais de 500.000 milhões de dólares, e em grande parte foi financiado por dívida (que registou um elevado aumento durante os últimos anos) e que está nas mãos dos investidores particulares que poderão não ter capacidade para suportar perdas”. Mas o PER deste segmento de mercado não é o único a estar caro. Sem chegar a extremos, na Fidelity reconhecem que os PER estão, “hoje em dia, caros” (Ver gráfico 2).

 

 

 

“Apesar da análise técnica das tendências continuar a apontar para novas mais-valia no mercado norte-americano e existirem poucas razões para suspeitar de uma formação de uma bolha, a bolsa dos EUA está cara atendendo às valorizações atuais. Os PER subiram, pelo que as expectativas de rentabilidade futura desceram, em igual proporção” (Ver gráfico 3). Esta é a principal preocupação de Hochman. A seu ver, as mais-valias futuras do mercado dependem agora do crescimento dos lucros, já que as valorizações são elevadas após vários anos de expansão dos múltiplos e escasso crescimento dos lucros.

“De facto, a revisão em alta das valorizações foi a causa de praticamente todos os ganhos nas bolsas mundiais durante os últimos três anos, assim como, os lucros têm pressionado a realização de mais-valias nos mercados acionistas no último ano. A inflação e as taxas de juro baixas sustentaram esta revisão em alta das valorizações perante a pobre evolução dos LPA, mas vale a pena perguntar por quanto tempo se vai prolongar esta situação sem que acelere o crescimento dos lucros, especialmente se a inflação subir”, afirma o especialista. 

 

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