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Estão as ações norte-americanas verdadeiramente caras? Está na hora de trocar pelas europeias? A J.P.Morgan responde.


As ações norte-americanas e europeias continuam a ser os ativos onde a J.P. Morgan AM encontra mais interesse para os próximos meses. Na empresa estão conscientes da preocupação dos investidores devido ao encarecimento das valorizações, tendo em conta que as bolsas europeias subiram 170% desde os mínimos registados em 2009 e a bolsa dos EUA já avançou 250%. Por este motivo, Jon Ingram, gestor de ações europeias, e Fiona Harris, especialista de produto de ações norte-americanas tomam a palavra diante dos investidores. Ingram e Harris dão a sua perspectiva relativamente a quatro temas chave que afetam ambos os mercados.

Tema 1: evolução do preço do petróleo

A brusca queda do preço do petróleo continua a dar que falar. “É uma história simples para a Europa, porque os países europeus não são produtores com a exceção da Noruega. Até o Reino Unido importa petróleo. Portanto, vai sair menos dinheiro destes países e as empresas vão gerar mais receitas, o que constitui um grande impulso” defende Ingram. A visão da J.P. Morgan AM é que graças à descida dos preços e ao aumento do poder de aquisição e da confiança do consumidor, o PIB da zona euro pode surpreender pela positiva. Segundo os seus cálculos, poderá crescer 1,2% em 2015 e 1,3% em 2016.

Pelo contrário, os EUA registaram dados de crescimento abaixo das expectativas durante o primeiro trimestre, tendo sido revisto em baixo a taxa de crescimento de 0,9% para -0,7%. “Apesar do primeiro trimestre ter sido muito fraco, a história de recuperação continua, o crescimento dos EUA é consistente”, afirma Fiona Harris. Neste caso, a baixa do petróleo não pressupôs um grande impacto para a economia, já que as empresas petrolíferas só representam cerca de 2% do PIB em termos de criação de emprego. Além disso, a inovação aplicada a técnicas de extração está a contribuir para embaratecer os custos, alterando o umbral de rentabilidade para estes projetos.

A especialista situa o preço do petróleo entre os 60 e 70 dólares por barril nos próximos anos, e calcula que a queda dos preços se traduza numa poupança de mais 60 dólares por mês para cada habitante dos EUA. Por sua vez, prevê que desta 'ajuda' os consumidores norte-americanas possam poupar até 30 dólares.

Tema 2: comportamento das divisas

Da J.P.Morgan AM fazem ressalva para a forte correlação entre o tamanho dos balanços dos bancos centrais e as taxas de câmbio. No caso europeu, a intenção do BCE de aumentar o seu balanço num bilião de euros, quando a Reserva Federal subir as taxas de juro, levará a um alargamento dos spreads entre taxas de juro superior. Os seus efeitos já se fazem sentir: a desvalorização do euro beneficiou as empresas exportadoras europeias, enquanto que a força do dólar beneficiou as empresas domésticas norte-americanas. Um embaratecimento de 10% do euro traduz-se de acordo com contas da empresa numa melhoria de 3,7% nas vendas e de 2% nos lucros.

Para Fiona Harris “o rally do dólar não é uma surpresa, muito embora o problema resida num facto de ter sido um movimento muito rápido”. A especialista vaticina que o “bilhete verde” vai continuar a senda de valorização, dado que “estes ciclos costumam durar dois anos”, e reivindica a necessidade de não construir uma carteira tendo, exclusivamente, como base temas macro, porque neste caso pressuporia o não investimento em empresas com exposição ao dólar e isso obrigaria o investidor a comprar utilities - que estão correlacionadas negativamente com a subida das taxas de juro - e renunciaria às empresas do sector tecnológico, que têm uma valorização mais atrativa, apresentando balanços sólidos além de não sofreram tanto o impacto divisa porque, por exemplo, os semicondutores que utilizam estão denominados em dólares. A especialista acrescenta que “o impacto da subida do dólar vai ser menor do que o esperado, sendo mesmo mais um problema de curto prazo, porque as empresas também fazem cobertura de divisas”. 

“Qualquer empresa europeia com exposição a dólares está a fazê-lo de uma forma fantástica”, indica Ingram, que comenta que muitas empresas estão a renovar agora os seus contratos de cobertura do risco cambial: “O impacto do dólar ainda não se refletiu totalmente num aumento dos lucros devido ao efeito hedging”. Para o gestor, “esta vantagem para as empresas europeias vai manter-se, dado que as empresas norte-americanas levam algum tempo a se instalarem na Europa... é uma vantagem de vários anos”. 

Tema 3: trajetória dos lucros corporativos

As empresas europeias estão cada vez mais globais: 54% das receitas das empresas cotadas na Europa é proveniente do continente. Pelo contrário, apenas 11% das receitas das empresas norte-americanas deriva de outros países, pelo que não são tão afetados pela valorização do dólar. Da empresa recordam a correlação verificada nos últimos 25 anos entre o lucro por ação (LPA) nos EUA e na Europa, sendo que a primeira descorrelação se produziu em 2011 fruto das políticas de austeridade do Velho Continente, o que contribuiu para um desfasamento de cerca de 10 anos nos lucros das empresas europeias face às dos EUA, que registam níveis recorde.

Ingram questiona-se se haverá espaço de manobra para colocar o assunto em dia e diminuir esse gap produzido relativamente aos EUA. “Mario Draghi quer arrancar novamente com um ciclo de lucros, enquanto regresso à convergência. Draghi teve tempo para estudar os QE dos EUA, Reino Unido e Japão e ver de que forma funcionam. Por isso anunciou a compra massiva e um mecanismo para retirar ativos aos bancos, dar-lhes dinheiro e obrigá-los a conceder empréstimos a um módico preço. É um programa único, incluindo um vínculo à economia real, o que não aconteceu nos EUA, Reino Unido e Japão. Isto leva Ingram a considerar que as empresas europeias já dispõem dos recursos necessários, só faltando agora o regresso da procura”. Por isso mesmo, “a seleção de valores será chave”. Harris destaca, por seu lado, a consistência dos lucros nos EUA. Indica que, apesar da queda registado nos resultados das empresas do sector petrolífero e da valorização do dólar, os lucros do S&P500 vão crescer cerca de 4%, até aos 120 dólares por ação; se se excluir o sector energético, então aponta-se para um crescimento de 11%. No caso das financeiras, estas serão capazes de aumentar os seus lucros na ordem dos 17%. “Acreditamos que 8% é a taxa normalizada de crescimento dos lucros”, assinala a especialista.

Tema 4: status das valorizações

No caso dos títulos europeus, Jon Ingram assume como métrica de referência o PER de Shiller, que atualmente se situa nas 16 vezes relativamente à média de 10 anos. Esta comparação leva-o a declarar que a “Europa está muito barata face aos EUA se tomarmos como referência esta medida desde 1979. Não se centre na subida que se tem verificado até agora mas sim no que estão a ganhar as empresas e na sua capacidade de crescimento”.

Fiona Harris também se mostra contundente: “O mercado norte-americano já não está barato, mas os lucros são um factor de suporte. O S&P 500 já negociou com um PER de 17 vezes em 15 ocasiões nos últimos anos, considera-se caro quando alcança as 20 vezes”. A especialista afirma que a bolsa dos EUA caminha para “um ambiente de retornos mais normalizados, em redor dos 10%, pelo que será necessário uma gestão mais ativa”. Além disso, recorda que as valorizações variam muito de sector para sector; por exemplo as seguradoras estão a negociar a 10 vezes o valor do seu PER.

Para os investidores que querem ter exposição a ações europeias na carteira, as opções recomendadas pela J.P. Morgan AM da sua gama de produtos são o JPMorgan Funds-Euroland Dynamic Fund e o JPMorgan Funds-Europe Equity Fund, enquanro que a recomendação para ações norte-americanas é o JPMorgan Funds-US Value Fund.

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