“Estamos a assistir a uma recalibração entre as economias desenvolvidas e as emergentes”


“Consideramos que não é altura de entrar em pânico, mas sim de esperar um enfraquecimento das economias; não uma crise”. No seu último InvestiGate, a UBS Global Asset Management reflete sobre os mercados emergentes como centro das atenções nos últimos tempos. Para Thomas Rose Head Investments & Risk Management e Pascal Guillet, Investments & Risk Management, da entidade, as ações dos mercados emergentes, e as taxas de câmbios estão sob uma pressão descendente.

Mas será a conjuntura económica destas economias  responsável pelas tendências descendentes? E será que as fracas taxas de câmbio apenas refletem as expectativas de uma longa fase de crescimento desapontante e de vulnerabilidade? Para os dois especialistas a resposta é a inscrita logo no início deste texto: não há razões para grande alarmes.  

Não existe risco de contágio

Na perspetiva dos fluxos globais de capital, para Thomas Rose e Pascal Guillet, atualmente assiste-se a uma “recalibração entre as economias desenvolvidas e os mercados emergentes”, por um lado, e por outro “entre os ativos de maior risco e os mais seguros”, dizem. Neste sentido, os dois especialistas reiteram que não existe um risco de contágio vindo dos mercados emergentes. “O elemento de maior perigo será provavelmente a clareza acerca do aperto da política monetária por parte da Fed”, referem.

À medida que a economia norte-americana se vai fortalecendo, também cresce a atratividade do país ao nível das exportações. Enquanto isso acontece, os especialistas da UBS Global AM acreditam que a Zona Euro e o Japão, vão provavelmente continuar com uma política monetária menos forte durante esse período.

Mecanismos de choque necessários

Ao contrário da situação  vivida nos anos 90, em que as taxas de câmbio fixas eram generalizadas, muitos países têm hoje taxas flexíveis. “Correções de preços nos mercados de ações e uma desvalorização da moeda são ‘mecanismos de choque’ bem vindos, num caminho que se faz na direção de um novo equilíbrio do mercado”, dizem. Nesta visão de futuro, o mais importante de tudo para os dois especialistas é a perspetiva de regulação dos mercados financeiros e o desenvolvimento de instituições fiáveis, bem como o combate à corrupção.

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