“… Endless River…”


A 10 de Novembro de 2014, não podemos deixar de assinalar o lançamento de mais um álbum dos Pink Floyd, “The endless river”, provavelmente para muitos, como nós, o melhor grupo de rock de sempre.
 
O nome deste álbum é sugestivo, uma vez que descreve a viagem por entre as águas de um rio que não acaba, sendo que nós, por defeito de profissão, não conseguimos fugir à analogia da água, da corrente e da liquidez.
 
Na semana passada, em vez do burburinho da corrente da água do rio, tivemos a oportunidade de ouvir repentinamente os ruídos estridentes das máquinas registadoras da música de “Money", no outro lado obscuro dos mercados financeiros, onde o baixista Mario Draghi continua a cantar:
 
- “… Money, get away…”!
 
Para quem crê que na semana passada foi aberta a porta a um típico programa de Quantitative
Easing, através da compra de dívida soberana, bem pode continuar a esperar sentado e murmurando atrás da porta: “..There is anybody out there…”
 
É verdade que não deixa de ser um mistério como o BCE vai conseguir incrementar o seu balanço em 1 Trillon até 2016, “Shine on you crazy diamond”, nesse sentido podemos deixar em aberto que a porta não parece ainda completamente trancada às 17 chaves.
 
Mas, o que devemos também extrair das palavras subtis de Mário Draghi, é que este não suspirou
propriamente, “Wish you were here” relativamente à adopção do QE, antes pelo contrário, teve o cuidado de enfatizar que o contexto dos programas de Q.E., nos EUA, no Reino Unido e no Japão, são muito distintos do actual contexto europeu: “The division bells”.
 
Não querendo ser nós a estar “Obscure by the clouds”, reafirmamos o que tivemos oportunidade de transmitir na semana passada: o Q.E. na Europa já há muito perdeu o seu apropriado “Time”, não deve ser legal e pode comprometer a credibilidade das opções de política monetárias já tomadas:
 
“Learning to fly”
 
Nesta semana que passou, acentuou-se de novo a divergência entre “Us and Them”, onde
incompreensivelmente o mercado accionista americano bate sucessivamente novos máximos,
enquanto que os mercados accionistas na Europa continuam inebriados numa obscura dose de
pessimismo, “Confortably numb”.
 
É verdade que os “Echoes” da actividade económica nos EUA e a capacidade de geração de
emprego da economia, contrastam com uma realidade europeia que continua a decepcionar. Mas há que não exagerar, uma vez que as previsões de crescimento da União Europeia e a OCDE fizeram o seu “The Final Cut” Não é já uma questão de “High Hopes”, ou de “IF”, a realidade é que os dados económicos na Europa começam a dar sinais de vitalidade.
 
Na Alemanha, comemoraram-se os 25 anos da queda “The Wall” de Berlim, na mesma semana em que os dados da produção industrial revelam que, afinal, a deterioração no trimestre foi menos
acentuada. A verdade é que já em Setembro tivemos “Coming back to life”, com as exportações e importações a crescer acima de 5%, evidenciando uma recuperação do consumo privado e do
investimento, o que vai SE reflectir no PIB do 3º trimestre a ser publicado esta semana.
 
“Hey you”, não é o tempo, nem o momento de desperdiçar as oportunidades de investimento para o médio e longo prazo. Não se pode deixar que um “Momentary lapse of reason” nos faça perder “The great gig in the sky":
 

- “…You get your chance to try in the twinkling of an eye, in 80 years with luck, or even less…” - Pink Floyd

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