Em 10 anos, as obrigações do tesouro destacam-se pela positiva em rentabilidade


Segundo o Relatório Anual de 2016 divulgado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), na última década, a rentabilidade acumulada pelo índice PSI20 - que agrega as maiores empresas cotadas na Euronext Lisboa -, registou valores negativos. Algo que a CMVM considera ser uma consequência dos “fortes impactos das crises do mercado hipotecário norte-americano e das dívidas soberanas da zona Euro sobre o mercado de valores mobiliários, bem como de fatores específicos da economia e do mercado financeiro em Portugal”.

No último ano, verificou-se uma contínua incerteza à volta do setor bancário e das alterações geopolíticas internacionais, provocando um aumento da pressão sobre o mercado acionista. E seja o desempenho do mercado português calculado com base nos índices PSI20 ou PSI Geral, então a rentabilidade do mercado foi igualmente negativa, tanto em 2016 como na última década.

Relativamente a aplicações em instrumentos financeiros, os certificados de aforro registaram rentabilidades significativamente baixas, o que se deveu, sobretudo, segundo a CMVM, ao “resultado da contínua queda das taxas de juro Euribor a 3 meses e do facto de essa rentabilidade estar indexada àquelas taxas”. Mas como nem tudo foi negativo, as obrigações do Tesouro (OT) mostraram boas razões para se investir nelas, revelando-se “o investimento mais compensador do ano transato e também da última década”.

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Simplificando…

Se um investidor aplicar 1€ em obrigações do Tesouro no final de 2006, se tivesse mantido esse investimento durante 10 anos, teria recuperado esse montante e ainda recebia 70 cêntimos adicionais. Isto é algo que corresponde a uma rentabilidade real (isenta do efeito do crescimento generalizado dos preços) de 48,4 cêntimos.

Por outro lado, se o investidor aplicar igualmente 1€ em certificados de aforro, também em 2006, o retorno que iria ter seria inferior, ou seja de 22,3 cêntimos (o que corresponde a um poder de compra real de 6,7 cêntimos).

Ainda assim, se o investimento replicasse a evolução de um índice, do PSI20 ou do PSI Geral, iria originar uma rentabilidade negativa de 39,5 cêntimos ou de 32,7 cêntimos (o que corresponde a uma rentabilidade real negativa de 47,2 cêntimos e de 41,3 cêntimos, respetivamente, para o período de 10 anos).

Admitindo uma aplicação de 100 mil euros, na mesma data, numa carteira de ativos financeiros constituída por depósitos a prazo (81,2%), certificados de aforro (5,4%), OT (5,4%) e ações cotadas (8%), passados dez anos a carteira teria o valor de 123,654 mil euros, o que corresponde a uma taxa média de rentabilidade anual de 0,4%.

Ao fim dos dez anos, tendo em conta as alterações dos diferentes ativos, a estrutura final da carteira teria um aumento relativo das componentes de OT (+2,0 p.p.) e depósitos a prazo (+1,7 p.p.) e uma redução dos certificados de aforro (-0,1 p.p.) e das ações cotadas (-3,7 p.p.), do que se depreende que, “na última década, o investimento quer em obrigações do Tesouro quer em depósitos a prazo teria sido mais compensador do que a aplicação de poupanças no mercado acionista”, segundo a CMVM.

 

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