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EBA, EIOPA e Esma elaboram um documento sobre os benefícios e os riscos potenciais de um aconselhamento automático


O aconselhamento automático através dos robo-advisors está em voga. Embora ainda seja uma tendência emergente na Europa, as três autoridades financeiras europeias de referência (EBA, EIOPA e ESMA) prepararam um documento em relação aos potenciais benefícios e riscos deste tipo de aconselhamento financeiro.

Os benefícios potenciais

De acordo com o documento os consumidores – ou seja: aforradores e investidores – iriam disfrutar dos benefícios em duas áreas distintas: a dos custos e a da qualidade dos serviços. Por um lado, pagariam menos por receberem aconselhamento financeiro e este seria mais rápido. Como ‘bónus’, um maior número de consumidores teria acesso a este serviço, assim como uma maior oferta de provedores. Além disso, o aconselhamento seria “mais consistente”, com uma informação sobre o mercado mais atualizada e com um registo de processo de aconselhamento com uma manutenção mais simples.

As próprias instituições financeiras iriam, igualmente, disfrutar dos benefícios, ao baixarem os seus custos de aconselhamento, aceder a um maior número de pessoas e garantir um aconselhamento mais coerente com a experiências do consumidor, sendo ainda “mais auditável”.

Os riscos potenciais

Em sentido oposto, da mesma forma que existem benefícios potenciais, também existem riscos potenciais para os consumidores e para as instituições financeiras.

De acordo com o documento, os consumidores poderão não tomar as decisões mais adequadas ou tomarem decisões com falta de informação e sem conseguirem pedir esclarecimentos.

Também podem não entender a informação produzida, já que esta é utilizada como ferramenta – que depende do tipo de perfil do investidor ou da venda de dados de terceiros, entre outros – o que pode causar dúvida a quem faz os aconselhamentos – nalgumas ocasiões duas ferramentas distintas têm essa função de recolher a informação e emitir a recomendação do investimento. Também são riscos para os consumidores o facto do processo não culminar com o instrumento financeiro correspondente ou ainda o facto das ferramentas automáticas também poderem ter alguns erros na sua programação.

Além destes riscos potenciais, estas ferramentas também podem ter erros caso estejam “pirateadas” ou com o seu algoritmo manipulado, recordam as três entidades.

Já as instituições financeiras podem estar mais expostas a um maior número de litígios e riscos reputacionais como consequência de alguns defeitos nessa automatização. Assim, poderão surgir reclamações legais devido á falta de especificidade da sua responsabilidade.

Perspetiva do mercado

Até agora, foi observado por estas entidades que a oferta e o uso do aconselhamento automático está limitado a alguns países da União Europeia. No entanto, “espera-se que este tipo de aconselhamento cresça no futuro e que haja uma proliferação de ferramentas mais sofisticadas e que se produza, também, uma maior integração das fontes de informação”, preveem na publicação. 

Uma das conclusões mais claras é que o “aconselhamento financeiro poderá permitir uma maior oferta de aconselhamento financeiro aos consumidores com um nível de rendimento mais baixo”.

 

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