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... E quais os perigos de adiar uma subida de taxas nos EUA?


Na semana passada alguns gestores pronunciaram-se antes e depois da reunião do Comité de Mercado Aberto (FOMC) sobre a necessidade de não atrasar mais a subida das taxas.  Em vez disso, a Reserva Federal manteve por tempo indeterminado a sua postura ultra acomodatícia perante a presença de riscos externos à economia dos EUA... alguns especialistas refletem sobre os passos que a instituição deveria dar no futuro de forma a evitar a aparição de riscos imprevistos e de grandes dimensões.

Keith Wade, economista chefe da Schroders, afirma que “o risco que se coloca é que o atraso de subida das taxas pressione a inflação no futuro e que, mais à frente, a instituição se veja obrigada a responder de forma mais drástica”. No entanto, o economista compara o contexto atual com os últimos anos da década de 1990, “quando a Fed cortou as suas taxas de juro em resposta às turbulências sofridas pelos mercados emergentes, mais concretamente aquando da crise do rublo na Rússia”. Wade lembra que “tal como na situação atual, a deflação era um motivo de preocupação, já que as pressões externas superavam as internas”.

Consequentemente a política monetária norte-americana manteve um tom acomodatício “embora, em defesa da Fed, devamos destacar que esta postura não se traduziu num aumento marcado da inflação”. Por outro lado, prossegue o especialista, “o excedente de liquidez “calejou” os mercados financeiros, já que os investidores assumiam cada vez mais riscos, o que acabou por causar problemas mais graves no sistema bancário e na economia”.

Com este ponto de vista concorda Julien-Pierres Nouen, economista chefe da Lazard Frères Gestion: “ A Fed tentou não cometer um erro de uma posição restritiva demasiado precoce sobre as condições monetárias mas, paralisada por este medo e à espera, corre o risco de criar as condições que está a tentar evitar, ou seja, uma forte subida das taxa a longo prazo”.

Do ponto de vista da entidade são duas as opções: ou uma subida prematura mas progressiva, ou uma subida mais tardia mas mais rápida. “No caso de uma aceleração dos salários e da inflação, mesmo que dentro de determinados limites, será obrigada a atuar rapidamente, muito embora caso já tivesse começado a subir as taxas, poderia manter a sua 'velocidade cruzeiro' de forma muito progressiva, para entretanto marcar o prazo entre as subidas das taxas e o impacto sobre a economia”, indica o especialista. “O impacto sobre as taxas a longo prazo teria sido, sem dúvida, inferior”, prossegue. “Revendo em baixa sistematicamente as suas previsões, a Fed fechou-se numa posição dovish, que fez com que o mercado não acredite mais no seu discurso, e se torne cada vez mais dovish, pressionando ainda mais a Fed”.

Rick Rieder, diretor de investimentos de obrigações da BlackRock, fixa-se nos efeitos sobre a economia real norte-americana provenientes desta decisão: “Temos vindo a referir que uma subida marginal das taxas de juro pode até acelerar as contratações, já que as pessoas ganham mais confiança no potencial futuro dos rendimentos gerados pelos juros e decidem reformar-se”. Ao manterem as taxas em mínimos históricos, “os potenciais reformados agora terão que esperar até às próximas reuniões de outubro ou dezembro para saber se podem começar a desfrutar de um pequeno “descanso” para os seus rendimentos”. 

Por outro lado, Raman Srivastava, diretor de investimentos da Standish (parte integrante da BNY Mellon) fixa-se nas repercussões para os outros bancos centrais destacados do mundo desenvolvido – o BCE e o Banco do Japão. Na sua opinião, a decisão da Fed atrasar a subida das taxas perante a gravidade de sucessos internacionais “poderá colocar-se como um dilema para a Europa, onde o QE está em marcha e o Euro está a desvalorizar”. “A continuada política acomodatícia da Fed pode supor que o BCE e o BoJ necessitarão de se tornar ainda mais dovish e vão ter que determinar essa postura o mais rápido possível”, conclui. 

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