Tags: Negócio |

“É possível que os grandes distribuidores se estejam a mover para os seus próprios fundos e a cortar nos fundos de terceiros”


A onda regulatória que se avizinha na indústria financeira já está de alguma forma a ser “estudada” pelas grandes entidades internacionais. Philip Warland, Head of Public Policy da Fidelity Worldwide Investment falou, recentemente no Media Fórum da gestora e, igualmente, por ocasião da conferência da ALFI sobre o que se pode esperar de um futuro em que PRIPS e MiFiD II são palavras de ordem.

Numa conversa com a Funds People Portugal, o especialista demonstrou a sua crença de que com MiFID II o investidor irá estar mais protegido de várias formas, mas particularmente ao nível da “transparência que a atividade de aconselhamento financeiro terá de ter. Antecipadamente os consultores financeiros terão de informar os seus clientes sobre quem são, com que produtos estão a lidar, e que relações estabelecem com os seus fornecedores, bem como é que vão ser pagos”. Reitera que “até agora estas questões ainda não eram esclarecidas”.

Numa entidade com a dimensão da Fidelity, questões como estas são obviamente avaliadas. “Estamos preparados para ter relacionamentos muito próximos com os distribuidores de forma a garantir que eles sabem tudo aquilo que precisam acerca do produto. No entanto, não deixamos de estar preocupados sobre a fiabilidade de algumas questões sobre as quais não temos controlo”. Do lado da proteção do investidor, o especialista destaca que as preocupações se prendem em “perceber se os custos das operações são proporcionais aos benefícios obtidos pelo cliente”.

Investidores com maiores poupanças: os mais prejudicados

No que diz respeito à proibição das retrocessões - outro assunto em cima da mesa no atual contexto regulatório -  o profissional faz questão de separar as águas quanto aos dois países que já aplicaram estas medidas. No caso do Reino Unido, “existem centenas de IFAs (Independent Financial Advisors) e, por isso, é muito mais interessante analisar o caso da Holanda, onde existem 6 bancos dominantes”. Um dos problemas é que existe a possibilidade de que “os grandes distribuidores se estejam a mover para os seus próprios fundos e a cortar mais nos fundos de outras casas”. Mais prejudicados, perante esta postura poderão ser os investidores que “têm poupanças consideráveis”, pertencentes por exemplo ao segmento affluent, ou então os “high networth individuals”, porque sempre tiveram à sua disposição “a opção que procuravam” para fazer face às suas necessidades.

Realçando que o número de Finacial Advisors é desigual em toda a Europa, com países como França ou Alemanha a serem mercados com um grande número de profissionais, para o especialista o cerne da questão está na denominação que os de “independência” ou “dependência”, sendo que na primeira as retrocessões ficam totalmente proibidas, muito embora acredite que a confiança do cliente não esteja em jogo em qualquer uma das situações. “O financial advisor que tem uma boa relação com os seus clientes não será, à partida, afectado pela denominação, pelo menos de forma direta, pois a confiança que o cliente deposita não desaparece assim tão facilmente”, diz.

Quanto ao impacto que tais medidas podem ter nos custos imputados ao cliente, ainda que não seja a curto prazo, Philip Warland considera que “o preço do aconselhamento financeiro, dos serviços prestados pelas plataformas, bem como da gestão de fundos, irá gradualmente cair”. Numa redefinição de posições, o profissional volta a citar o caso inglês. “No Reino Unido os finacial advisors tiveram de perguntar a si mesmos: “Afinal qual é a minha atividade e o que é que eu vendo?”. Eles descobriram que são realmente bons a fazer planeamento financeiro, e mais fracos ao nível da gestão de investimentos. Assim, de forma massiva, começou a assistir-se a um acordo entre estes profissionais e os seus clientes. Definia-se qual o “apetite de risco” do investidor e delegava-se a entidades terceira a construção e gestão de uma carteira de investimento que obedecesse a esse mesmo nível de risco”, conclui.

Empresas

Outras notícias relacionadas


Próximos eventos