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"É o momento certo para que os investidores olhem para além do ruído"


A incerteza política está desaparecer. Enquanto a Alemanha parece estar a caminhar para um governo de coligação, na Itália o risco de queda do Governo de Letta é remoto. "Inevitavelmente alguns investidores foram influenciados pelas manchetes de jornais e pela incerteza política que tem acompanhado a crise económica na Europa e, por isso,  continuam cautelosos na hora de investir o seu dinheiro na região. No entanto, durante muito tempo existiu o pensamento de que não havia necessidade de ter medo da Europa ", explica Andreas Zollinger, gestor da BlackRock.

De acordo com o gestor do BGF European Equity Income Fund, "é improvável que haja uma ruptura da zona do euro. Por isso, acreditamos que este é um bom momento para que os investidores olhem para além do ruído do que é escrito nos jornais, para que consigam ver o que está a acontecer nas empresas europeias". O atual momento para fazerem essa análise é, no entender do gestor, muito bom. "As valorizações e os dividendos oferecidos atualmente pelas ações europeias parecem relativamente atrativos em comparação com a maioria das classes de ativos, tais como as ações asiáticas ou americanas, ou ainda em comparação com os mercados tradicionais de obrigações".

Segundo o gestor, na Europa existem muitas empresas bem geridas, com alta qualidade e com balanços sólidos que permitem um nível saudável de pagamento de dividendos. "Em termos de setores, a economia global está recuperar-se, e esperamos que as empresas industriais europeias orientadas para a exportação tenham um bom comportamento. Para além disso também somos otimistas em relação ao setor europeu de infraestruturas”, explica.

Perspetivas para a Europa?

Zollinger assegura que neste momento a equipa está mais preocupada com a desaceleração económica nos mercados emergentes, e com a potencial redução do programa de compras de ativos da Fed, do que com as perspectivas de mercado na Europa. "O políticos europeus vão “pôr mãos à obra”, mas não podem permitir que haja nenhuma trégua". Assim o especialista recorda que desde que no ano passado o presidente do BCE prometeu fazer "o que for preciso" para preservar o euro, as obrigações dos países mais afetados pela crise financeira, bem como as ações, tiveram comportamentos muito positivos.

"No entanto, esperamos que as ações tenham um desempenho melhor durante os próximos meses. Esta possibilidade baseia-se principalmente nos seus preços atuais. Mas à medida que a economia for melhorando os lucros das empresas também devem aumentar, o que supõe um apoio adicional às ações". Para Zollinger, uma carteira composta principalmente por ações de alta qualidade que distribuam dividendos, pode fornecer um fluxo de receitas estável e com potencial de crescimento, sem que seja sacrificado o crescimento a longo prazo.

"Além disso, em geral, [este tipo de carteira] está menos exposta às subidas e descidas do mercado, comparando com uma carteira constituída principalmente por ações ordinárias. Para alguns investidores a Europa pode parecer uma escolha surpreendente, dado o nível de incerteza em torno da zona do euro. No entanto, acreditamos que não deveria ser assim tão surpreendente".

 

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