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“É importante para o sector haver operadores a dar atenção ao segmento de expansão”


À conversa com a Funds People Portugal, o presidente do conselho de administração da Capital Criativo fala ainda da forma como a intervenção dos fundos poderá ser concretizada, dos desafios da indústria para crescer e refere que o elevado montante de recursos para reestruturação “vai alterar, e muito, o perfil da indústria”.

Olhando para 2013 como vê o desenvolvimento da indústria de ‘private equity’, que desafios podem surgir no actual cenário macroeconómico?

Há três ideias que penso que vão ser importantes. Acredito que um desafio a surgir no sector é como conciliar a existência de um conjunto significativo de instrumentos de reestruturação, que estão a ser lançados no mercado, com o não desconcentrar, não perder o foco, de alguns operadores, naquilo que é a área tradicional de expansão e crescimento. A tentação, face ao volume de fundos e de recursos de reestruturação, é que os operadores se concentrem nessa área, que é uma área recente em Portugal, mas que tem ganho cada vez mais importância e peso, e que não continuem a prestar atenção à área de crescimento, que tem igual relevância. No ano passado, a dimensão de investimento para o ciclo de expansão foi cerca de 14 milhões de euros, é muito pouco, face ao volume de actividade. É importante para o sector como um todo, independentemente dos operadores mais especializados, que continue a haver operadores a dar atenção ao segmento de expansão, particularmente ao ‘middle market’, porque por aí vai passar uma parte da nossa retoma.

E a segunda ideia?

Penso que é importante perceber se a intervenção dos fundos na componente financeira da reestruturação tem uma sequência normal também na reconversão da gestão e na reconversão do funcionamento em termos operacionais e organizacionais. Ou seja, analisar e ver como a indústria, além de fazer a reestruturação meramente financeira, que é importante porque é o primeiro passo, vai estruturar-se para concretizar o segundo passo, que é a reestruturação organizativa, de gestão, de estratégia, de negócio. Senão resolve o primeiro passo, mas o problema vai voltar a aparecer mais à frente.

E qual o outro desafio?

Um terceiro ponto é saber como, dentro do segmento de expansão, a indústria vai ser capaz de encontrar, com as empresas existentes, mecanismos para crescer a níveis interessantes para o sector. Sabendo que o mercado interno tenderá a não ser um mercado de crescimento, como é que se faz a equação de encontrar investidores, que exigem retornos elevados para o seu capital, com empresas que estão no mercado, pelo menos doméstico, em contracção. Por isso é que a nossa equação tem sempre a componente internacional e os bens transaccionáveis. Mas pode haver outras formas, por exemplo movimentos de concentração sectorial que permitam ganhar quota por vida da absorção de novos ‘players’.

O financiamento vai continuar a ser um problema...

Vamos ter o Produto em contração, dívida cada vez mais escassa e múltiplos tendencialmente em redução... A ideia é como é que se cria valor do lado operacional, do lado da organização, o que é muito mais duro.

Perante esse cenário acredita que há espaço para novos ‘players’ nesta indústria, para que haja uma estratégia de especialização ou, antes, alguma consolidação? 

O movimento até agora tem sido de não consolidação, excepto no sector público, onde, e bem, se consolidaram. Mas este movimento de imenso aporte de fundos muito ligado à reestruturação vai alterar, e muito, o perfil da indústria. Ou seja, vai haver um grupo mais dominante em termos de recursos sob gestão e um menos expressivo. O que é que isso pode ter como consequência em termos de especialização, por exemplo? Hoje todos os grandes ‘players’ privados vão ter que ter uma área de reestruturação. A indústria caminha para onde os financiadores estiverem disponíveis para investir e, nesta altura, há poucos financiadores internacionais disponíveis.

E uma aposta em reestruturação poderá fazer parte da vossa estratégia?

Consideramos que pode ser possível fazer operações de reestruturação, mas em que esta seja um primeiro passo para a expansão dentro de um segmento que é o nosso ‘core’, não estamos vocacionados para fazer pura reestruturação em segmentos, por exemplo, industriais. Sempre que as empresas em causa estejam no segmento de bens transacionáveis, e possam depois ter uma estratégia de expansão, podemos intervir numa fase prévia, que é também para resolver problemas de sobreendividamento, de sobre-alavancagem. Não excluímos desde que isso se enquadre na nossa estratégia mais ampla de crescimento e expansão pela qual surgimos.

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