“Durante dois anos toda a gente esteve no modo Quantitative Easing”


O aumento da volatilidade nos mercados financeiros teve o seu apogeu em agosto passado, e provavelmente muitos dos investidores só se aperceberam dos níveis mais elevados por essa altura. Contudo, a “história” pode dizer-se que era bem mais antiga.

Alexandre Drabowicz, head of development & investment specialists equity strategies, da Amundi, em entrevista à Funds People, começa por esclarecer que “o aumento da volatilidade não começou em agosto, mas sim há cerca de um ano atrás”. Esta é uma marca temporal que faz questão de frisar... e explica porquê: “O Quantitative Easing na Europa criou alguma volatilidade de mercado. Às vezes existe boa volatilidade, outras vezes má volatilidade. O facto do Banco Central Europeu ter decidido iniciar o QE com uma grande quantia de dinheiro, em primeira análise, teve um impacto positivo, com o mercado de ações a valorizar e a volatilidade a descer”, comenta.

O profissional recorda que a relação entre a volatilidade e o comportamento das ações costuma ser descorrelacionado. Ou seja, “as ações descem quando a volatilidade sobe”. Na Europa, nos últimos tempos, “foram existindo uma série de eventos, que fizeram com que a volatilidade aumentasse”. Se no final de 2014 e início de 2015, o QE teve uma grande influência no aumento do que se pode apelidar de “volatilidade positiva”, na segunda metade deste ano as palavras “Grécia” e “China” trouxeram à ribalta níveis em que se fez sentir a referida relação inversa entre a volatilidade e as ações. Na opinião de Drabowicz “a volatilidade está a voltar a níveis normais. Estivemos, contudo, durante um regime de volatilidade anormal durante dois anos. Acreditamos que esse período acabou, e estamos, por isso, a entrar agora num novo regime de volatilidade, no qual poderemos esperar, de vez em quando, um drawdown de 10% ou 15% nas ações.

Que razões sustentaram esses dois anos de baixa volatilidade?

No entender do product specialist, a volatilidade “anormal” que se viveu durante dois anos teve por base factores simples. “Toda a gente no mundo estava no modo ‘Quantitative Easing’, existindo uma significante procura por yields, que acabaram por ficar abaixo de 0% em todo o mundo”, explica. “A Fed foi responsável pelo crash de volatilidade, na sequência do QE. De certa forma, quando terminaram com o programa de estímulos, foi o suficiente para que a volatilidade voltasse para níveis normais”, comenta.

Apelo indiano

Drabowicz faz ainda um apanhado das perspetivas que tem em relação ao comportamento das ações.Continuamos a estar positivos em relação ao Japão. As reformas estruturais que têm tido lugar, especialmente no que toca às empresas, representam grandes mudanças em curso”, indica, sustentando a maior preferência da casa pelas small caps nipónicas.

Nos mercados emergentes a palavra precaução toma lugar, porque “mesmo que as valorizações pareçam baratas, é difícil encontrar oportunidades”. Contudo, abrem uma exceção de preferência, porque hoje em dia há que olhar para estes mercados através de blocos de países. Fala do maior apelo pela Índia, por “ter beneficiado do colapso do petróleo”, e por ser “um dos países emergentes menos dependentes do crescimento da China”.  Evidencia mesmo que quando se olha para a “correlação do MSCI India, com o MSCI China, é de apenas 50%”.

Explica que gerem ações indianas a partir de Hong Kong, onde o responsável pelo departamento é efetivamente da nacionalidade em causa, e com experiência em visitar as empresas locais. “Ele diz que nunca viu um contexto tão positivo em relação à Índia”, indica Drabowicz, lembrando que no passado existia sempre um “mas” em relação às empresas do país. Contrariamente, hoje, “já não existem ‘mas’”, e a Índia pode mesmo “ser uma história de longo prazo interessante dentro dos países emergentes”.

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