Dunas Capital: “O Quantitative Easing não nos parece ser a solução ideal na Europa”


Na presente situação de mercado não há como fugir aos temas “fraturantes” que marcam as perspetivas para 2015. Tanto no “mundo dito desenvolvido”, como “no mundo ocidental”, a atual conjuntura de taxas de juro próximas de zero, “reflete um crescimento e inflação incipientes nessas áreas, começando-se a destacar os EUA pela positiva”, começa por dizer João Vasconcellos da Dunas Capital. A Dunas Capital salienta que esta situação é um motivo de preocupação para o próximo ano, nomeadamente as implicações que pode ter para as obrigações, que na “generalidade parecem pouco atrativas”. 

De um modo geral, considera que o crédito atualmente está “caro”, sendo que neste âmbito crêem “que o prémio da generalidade dos periféricos já incorpora cenários bastante optimistas oferecendo poucas oportunidades”.

Não “torcem” pelo QE à europeia

Na economia norte-americana, no entanto, João Vasconcellos, entende que a atual conjuntura de taxas de juro “parece ter tido um impato positivo”. Na Europa, por outro lado, “a situação continua a ser uma incógnita”. “O crescimento da Europa parece estar mais dependente da capacidade do BCE em desvalorizar o Euro, o que só aconteceu em relação ao USD, bem como de conseguir reduzir a fragmentação”, resume o profissional. Desta forma, mantêm-se positivos relativamente ao USD.

A entidade tem uma visão específica em relação ao Quantitative Easing ‘à europeia’.  “O QE não nos parece ser a solução ideal uma vez que a maioria do crédito na Europa, e nomeadamente as PMEs que constituem o grosso da economia, são intermediados pela banca, que por sua vez se ressente das cada vez maiores exigências de capital”, indicam.

Citando também a recente quebra do petróleo, e mantendo-se este nos níveis atuais, acreditam que “deverá trazer a prazo efeitos positivos para as economias da China, Índia, Japão e Europa, e efeitos adversos para economias emergentes ou fronteira, tais como a Rússia (a qual viu a sua moeda sofrer perdas consideráveis)”.

Demasiado negativismo sobre a Europa

Ainda que esperem de facto um crescimento mais relevante nos EUA, consideram que os “mercados europeus incorporam demasiadas expectativas negativas”. Já relativamente à China, acreditam que esta faz parte do universo core de investimento, juntamente com o Japão.

Ações e dólar

Em termos de alocação de ativos, privilegiam as ações, e no que toca a moedas a preferência vai, como já dito, para o Dólar. Nas obrigações, “apesar de uma previsível subida das taxas de referência nos US”, consideram “que a parte mais longa da curva americana oferece valor numa base relativa”. Vão estar atentos “aos movimentos do BCE e à evolução da curva brasileira”. Já as moedas emergentes “deverão continuar sob pressão, tanto pela valorização do USD, como pela quebra do preço das commodities, por um lado, e pela desvalorização do Yen por outro (este último sobretudo no que respeita às moedas asiáticas)”.

O que há a monitorizar em 2015?

Na lista de preocupações a monitorizar durante 2015, a Dunas Capital vai estar atenta a situações como a “evolução da situação na Rússia”, “a velocidade de normalização da política monetária americana”, “a evolução do preço das commodities (e em especial ao preço do petróleo)”, as “tensões políticas no seio do BCE reflexo da posição alemã face às decisões relativas à política monetária”,  “as eleições na Grécia e aos consequentes efeitos para o sentimento relativo aos restantes periféricos”, ou a “evolução da popularidade dos partidos anti-sistema em vários países da Europa, nomeadamente Itália, Espanha e França.”.

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