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Dólar a ganhar força


Nos últimos meses o tapering e o quantitive easing (QE) têm sido o leme para a economia norte-americana. Segundo John Beck, diretor de Fixed Income da Franklin Templeton Investments, o “quantitive easing tem sido, de facto, notável. O balanço da FED cresceu para os 4.500 mil milhões de dólares em 2014, depois de em 2008 ter atingido os 800 mil milhões”.

A redução ao longo dos últimos meses das compras por parte da FED tem ajudado a economia a manter as taxas de juro baixas e, consequentemente, a estimular o crédito. “A economia está a crescer 4,6%, a taxa de desemprego está abaixo dos 6% e o défice em conta corrente situa-se nos 2,3% do PIB”, sublinha o especialista da entidade.

Apesar da redução das políticas expansionistas por parte da FED, a moeda tem vindo a subir ao contrário do que seria expectável. “Esperava-se que as regiões que estão a ser afetadas pelo QE sofressem alguma consequência, mas desde o início do ano que temos visto o dólar a apreciar-se face às moedas de países com fundamentais mais sólidos”, continua Beck, dando o exemplo de que no início de 2014 a taxa de câmbio euro/dólar estava nos 1,40, enquanto nos últimos três anos se moveu entre 1,20 e 1,40.

O profissional destaca ainda algumas moedas em que esta situação se tem reflectido. O Won, moeda da Coreia do Sul, “deveria ser imune à apreciação do dólar, mas não tem sido assim”. Na América Latina, “entendemos que o Real brasileiro se pode desvalorizar face ao dólar pela contração do PIB e, por causa das quedas tanto na construção, como na manufacturação.” Sobre o peso mexicano, o especialista afirma que “a moeda também enfraqueceu”.

Virando os olhos para a Europa e para a libra esterlina, o director de fixed income acredita que esta moeda “está em melhor situação do que o Euro. O Reino Unido, tal como os EUA, está em melhor situação económica do que a maioria dos países desenvolvidos”. Para John Beck, as taxas de juro “nestes dois locais podem subir durante o próximo ano”.

Risco real de deflação

Para Beck “existe um risco real de deflação na Zona Euro, já que o Banco Central Europeu não está a fazer de tudo para impedir a situação”. Podemos ainda juntar a esta receita os ingredientes: valorização do dólar e uma ligeira desaceleração da economia chinesa. Estes dois factores podem ter impacto na descida de preços das commodities, o que poderá levar a inflação a movimentar-se de forma contrária ao sentido daquilo que o BCE deseja para evitar a deflação. 

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