“Diversificar... da forma possível”


No conturbado mês de janeiro o PSI-20 encerrou com uma queda mensal de 4,7%, ficando nos 5.065,67 pontos. A volatilidade do índice disparou, chegando aos 31,38%, valor que compara fortemente com os 18,27% fixados em dezembro. Na opinião de Nuno Marques, gestor do IMGA Ações Portugal recentemente galardoado nos Euronext Awards, “neste ambiente turbulento de início de ano mais facilmente se entende a relevância da diversificação de uma carteira de investimento”.

Nesta conversa sobre o prémio atribuído a um fundo de ações nacionais, não poderiam faltar os temas “liquidez”, “regulação” e “restrições”. Sobre a alocação do fundo, Nuno Marques conta precisamente o porquê da posição cimeira em carteira ser um ETF que segue o PSI-20. “Optámos por fazer uma rotação parcial da posição que tínhamos em futuros do PSI-20 para um ETF, porque é uma posição que ficará mais ou menos estável no portefólio ao longo dos próximos anos”, indica. Em prol da própria diversificação do produto, o gestor considera que a utilização deste tipo de instrumentos é necessária. “No último trimestre tivemos alguns meses a analisar a evolução relativa do ETF em causa e do PSI-20, ponderando ao mesmo tempo a representação dos custos. Chegámos à conclusão de que seria mais interessante obter a exposição de PSI-20 via ETF, do que via futuros”, afiança.

Mais empresas e mais sectores representados

Na conversa com o gestor, tal como já tinha acontecido noutras ocasiões, voltou a frisar-se o tema da atratividade da entrada em bolsa em Portugal. Na opinião do profissional continuam a existir empresas que, à partida, deveriam já ter lugar no mercado de capitais. “Acredito que o mercado precisa de mais empresas e de mais sectores representados. Acho que a TAP, por exemplo, seria uma empresa que poderia diversificar o mercado nacional caso estivesse cotada”. Na visão do gestor existem também algumas cadeias de hotéis que embora com “dimensão reduzida”, “poderiam estar no mercado como players secundários”. Nuno Marques salienta as restrições regulatórias e a falta de incentivos que continuam a existir em Portugal no que toca à entrada em bolsa, “onde apenas algumas empresas com estrutura suficiente conseguem fazer essa entrada”. 

Para além disso, recorda também outras empresas que já estiveram cotadas e que podem ser incentivadas a voltar. “Acredito por exemplo que a Brisa saiu do mercado numa altura em que o stress financeiro era outro.  Se hoje a empresa controladora estivesse interessada em dispersar o capital conseguiria fazê-lo a preços mais interessantes”.

Candidatas ao PSI-20?

De entre as cotadas em Portugal que poderiam integrar o PSI-20 (caso as regras fossem mais flexíveis) o profissional aponta em específico quatro pequenas capitalizações de destaque: a Ibersol, a Corticeira Amorim, a Novabase e a Sonae Capital. Justifica que dentro do universo das pequenas capitalizações são “um pouco maiores do que as outras”, tendo como vantagem “um turnover diário superior às restantes”.

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