Diversificar além do “tradicional”


Em circunstâncias normais as regras para se obter uma carteira diversificada são aparentemente simples e estáveis. No entanto, a Franklin Templeton Investments lembra que quando “as condições de mercado não estão normalizadas, quando as correlações começam a crescer, quando a volatilidade sobe e quando as vendas massivas começam a dominar”, torna-se claro que as velhas máximas sobre a diversificação não são suficientes.      

Em situações como as de 2008, num post do blog “beyond bulls and bears”, a gestora refere que “um portfólio que aparentemente parece diversificado através das condições de mercado razoavelmente normais pode facilmente tornar-se pouco diversificado”. Por essa altura de mercado, relembram que muitos foram os investidores que entraram numa ampla gama de ativos, supondo que não estavam correlacionados, sendo depois surpreendidos por perdas descendentes à medida que as correlações cresciam”. Diversificar apenas via geografia e classes de ativos pode já não ser mais a perspetiva ideal. “Devemos procurar a diversificação através de factores de risco também”, indicam.

Diversificação dos factores de risco

Os factores de risco são os blocos construtores para todas as funções de preços numa carteira e servem de condutores do retorno. Aqui incluem-se por exemplo as taxas de câmbio, a inflação/deflação, os preços das commodities, as taxas de juro, etc. A entidade salienta que “o que torna os factores de risco tão eficazes em termos da construção de uma verdadeira carteira diversificada é que, ao contrário das classes de ativos, eles podem fazer um melhor “isolamento” do pânico em massa e do contágio das vendas que habitualmente acompanha as mudanças de contexto de mercado”.

Os estudos académicos são a prova: “têm demonstrado que a correlação média entre os factores de risco é significativamente mais baixa do que a correlação entre as classes de ativos, sendo que as correlações dos factores de risco parecem ser mais resistentes às mudanças dramáticas de mercado”.

“O” factor de risco

Numa espécie de metáfora com a partícula de Deus e a sua importância no Universo, a Franklin Templeton Investments fala do significado que o beta das ações tem numa carteira diversificada. Recordam que durante a recessão entre 2001 e 2003 muitos investidores institucionais começaram a mudar as suas alocações de ativos para investimentos alternativos, tais como private equity ou hedge funds, com o objectivo de diversificarem as carteiras.

Da gestora entendem que “muitas das classes de ativos pareciam descorrelacionadas numa primeira abordagem, mas que, na verdade, os seus factores de risco subjacentes claramente não o eram”. Exemplificam: “Usar de forma  táctica os investimentos do private equity como forma de diversificar contra as ações de empresas públicas pode aparentemente parecer lógico; no entanto, em períodos severos de stress de mercado esta relação vai provavelmente falhar, porque a componente de beta de muitos dos fundos de private equity está normalmente dependente dos retornos dos mercados de ações públicas”.

Concluindo, referem que acreditam que “uma abordagem de investimento baseada nos factores de risco aplicada à alocação permite, teoricamente, a criação de portfólios melhor diversificados e mais eficientes do que os métodos tradicionais”. 

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