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Devo manter a minha alocação a ações norte americanas ou devo reduzi-la a favor de outras regiões?


Pela primeira vez em alguns anos, as gestoras internacionais começaram a recomendar aos seus clientes que procurassem oportunidades de investimento para além dos Estados Unidos, dado o avanço do ciclo e o encarecimento das valorizações. Estamos no início de uma grande rotação de ativos norte americanos ou não norte americanos? Os especialistas da Capital Group mostram as suas perspetivas de acordo com as suas revisões semestrais da economia global, e fornecem ainda alguns gráficos úteis para os investidores.

Comecemos pelo óbvio: a recuperação económica continua de vento em poupa nos Estados Unidos. “Durante mais de sete anos, a recuperação produziu-se a um ritmo aborrecido, impulsionada principalmente pela resistência do consumo. Mais recentemente, as empresas e as áreas industriais forneceram um impulso positivo para o quadro geral de crescimento”, detalham os especialistas. Referem-se concretamente ao recente desenvolvimento da PMI e à recuperação dos lucros corporativos, que no primeiro trimestre subiram mais de 13%, depois de estarem sob pressão em 2015 e 2016. Se a isto se juntar as melhoras das vendas a retalho e os primeiros indícios claros de inflação salarial, a conclusão da Capital Group é que “estas condições apontam para uma aceleração do crescimento no segundo semestre”.

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Qual o papel da política neste contexto? A gestora tem uma atitude relativamente construtiva em relação a este aspeto: “O relaxamento da regulação, combinado com a perspetiva de uma reforma fiscal, poderia proporcionar um maior impulso ao crescimento. Dito isto, a política continua fluída e qualquer passo em relação com a política comercial poderia ter um impacto adverso sobre a economia geral”.

As avaliações das ações têm refletido por completo esta recuperação, de tal modo que agora estão bastante ajustadas em muitas áreas. Uma das recomendações da Capital Group para continuar a gerar alfa é “procurar empresas com experiência demonstrada de geração de crescimento superior, como as empresas que desenvolvem tecnologias “na nuvem” e vendas a retalho online”, como por exemplo a Microsoft, a Amazon ou a Intel. O gestor Alan Wilson indica que “as avaliações de muitas destas empresas foram ajustadas, mas o investidor pode sentir-se à vontade e confortável para investir nelas pois tem muitos anos de visibilidade sobre o modelo de negócio e pode determinar que esse crescimento robusto é sustentável”.

Um ciclo invulgarmente longo

Desde a 2ª Guerra Mundial, os Estados Unidos têm registado fases de expansão económica com uma duração média de 64 meses, onde se produz um PIB acumulado de 24%. O ciclo atual já dura há 95 meses, mas o PIB acumulado é de 17%. O gestor Alan Berro afirma que “é possível que algumas partes da economia pareçam estar na parte final do ciclo, mas muitas outras -  como a habitação ou os salários, não estão”. Berro acrescenta que “não se verificam os excessos que se verificariam normalmente no final do ciclo económico. É por isso que penso que o ciclo durará mais do que todos pensam”.

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As palavras do gestor remetem para outro raciocínio dos autores do relatório do Capital Group: “A história tem mostrado que as expansões não morrem de velhice. As recessões são, geralmente, o resultado da acumulação de desequilíbrios da economia, como uma inflação alta, um excesso de produtos ou uma bolha imobiliária”. Especialistas da empresa consideram que “hoje em dia não há desequilíbrios óbvios na economia”. Dado o modesto ritmo de recuperação, o seu prognóstico é que “poderia levar algum tempo até se produzir qualquer acumulação”, ainda que se admitam que “ajustes inesperados na política, como a aprovação de negociações comerciais desfavoráveis ou shocks externos, poderiam desencadear uma recessão”.

Tendo em conta que o contexto atual (famílias com pouca alavancagem e custos de financiamento baixos) é favorável para o crescimento do crédito, na empresa estão à procura de ideias dentro do setor bancário, como por exemplo o banco regional PNC Financial Services ou os conglomerados J. P. Morgan Chase e Wells Fargo. Estes afirmam que “as taxas de juro altas, juntamente com a perspetiva de um contexto regulatório menos estrito, poderiam impulsionar as margens de lucro”.

Efeitos perversos do domínio norte americano

O longo ciclo de subidas nos Estados Unidos também trouxe consigo efeitos colaterais. Os especialistas da Capital Group apresentam um gráfico muito interessante: afirmando que as empresas inteligentes “vão para onde está o crescimento”, pode-se observar que um grande número de empresas europeias tem dedicado os últimos anos a orientar o seu modelo de negócio para o consumidor americano. Desta forma, desde 2008, as vendas das empresas não norte americanas, com uma exposição significativa ao país, têm crescido notavelmente, com casos de êxito de empresas que têm sido capazes de gerar lucros apesar das dificuldades nos seus mercados locais: Nestlé, Novartis, Roche, Toyota, British American Tobacco ou AnheuserBusch InBev, por exemplo.

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Outro exemplo colateral terá sido o aumento do domínio dos valores norte americanos sobre os índices mundiais. Segundo dados da Capital Group, os Estados Unidos representam 53% da composição do MSCI All Country World Index, perto de máximos históricos. Enquanto isso, a alocação a emergentes está ligeiramente acima da sua média histórica, enquanto o peso das empresas europeias se encontra perto dos mínimos dos últimos 20 anos, como reflete o gráfico.

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Enquanto isso, as empresas cujos negócios se têm centrado na Europa e no Japão, têm atravessado múltiplos obstáculos durante os últimos anos. Esta dinâmica poderia estar prestes a mudar, especialmente a nível europeu: “A dissolução da incerteza política na Europa continental terá permitido aos investidores concentrarem-se no que é importante: os fundamentais subjacentes. As empresas da zona Euro estão a viver uma melhoria significativa no crescimento de lucros, o que reflete um ambiente macroeconómico mais forte. Depois de um período prolongado de fracos rendimentos, há margem para maiores ganhos adicionais em ações da zona Euro”, explica o economista Robert Lind.

Além dos sinais de menor risco político e fortalecimento da recuperação, a partir da gestora acrescentam que “a desvalorização gradual do dólar está a ajudar a impulsionar os retornos de investimentos internacionais para os investimentos em dólares”. Além disso, recordam que “as avaliações das ações europeias são convincentes, particularmente em relação com as norte americanas”.

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