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Desmistificar a duração


Num momento em que a revisão da alocação dos portfólios de obrigações é necessária, dado o contexto de taxas de juro em níveis historicamente baixos e dada a certeza da subida das taxas de juro embora se desconheça o momento em que isso irá acontecer, Curtis Evans, da Fidelity, relembra fatores adicionais que devem ser analisados de forma a compreender a sensibilidade do preço das obrigações.

São eles: o cupão, o tempo em que ocorre a subida das taxas, a forma da curva de rendimentos e os spreads de crédito.

Um ponto de partida mais elevado nas yields servirá como almofada contra oscilações de capital. O rendimento compensa as quedas do preço, uma vez que o valor do capital terá que cair mais do que o rendimento obtido através dos cupões para que o retorno total seja negativo. A diferença entre o momento atual e ciclos passados, explica o especialista, “é o baixo nível em que situam as yields. Nesse sentido, as obrigações têm menos suporte de rendimento para neutralizar as ditas oscilações de capital. No entanto, dependendo do ritmo de subida das taxas isto pode ou não constituir um problema”.

Relativamente, ao tempo em que ocorre a subida, Evans considera que o mesmo será lento e gradual. A velocidade e a dimensão das subidas das taxas de juro podem ter um profundo impacto sobre a performance, tanto positiva quanto negativamente. Um aumento das taxas longo e prolongado têm menor impacto, uma vez que proporciona mais tempo para acumular rendimentos, ajudando a compensar perdas de capital. O atual excesso de dívida nas principais economias implica que a normalização das taxas de juros exija uma abordagem mais gradual. Repare-se, acrescenta o especialista, “que nunca as economias desenvolvidas estiveram tão alavancadas como hoje”. Isto coloca a sua sensibilidade a alterações nas taxas de juro numa situação mais penalizadora. É expectável, por isso, refere o diretor de investimento da Fidelity, uma normalização cuidadosa e mensurável de forma a reduzir ao mínimo as perdas de capital.

Já na forma de curva, da gestora lembram que o aumento das taxas de juro é tipicamente acompanhado de um achatamento da curva com as yields de longo prazo muito condicionadas pelas expectativas de crescimento e inflação. Assim, acreditam que não existem grandes diferenças no momento atual face, por exemplo, ao ocorrido em 2004, embora um crescimento mais fraco mantenha as yields num intervalo inferior ao registado no passado em que oscilaram entre os 4-5%, sendo agora expectável que fiquem entre os 3-4%.

Por último, sublinha o efeito de almofada dos spreads de crédito perante um aumento das taxas em que estes tendem a estreitar-se nesse cenário, uma vez que tende a coincidir com um crescimento mais forte da economia, como ocorreu em 1994. Com os spreads abaixo das médias históricas, a equipa de Evans vê margem para o contínuo estreitamento de spreads a par do crescimento das taxas.

 

 

Bom momento para rever a alocação em obrigações

O diretor de investimento da Fidelity considera que estamos num bom momento para olhar para todo o universo, diversificado, do mercado obrigacionista e rever a alocação das carteiras. Naturalmente que esta revisão deve ser feita tendo em conta todos os fatores enunciados e não apenas a duração que por si só se revela insuficiente para perceber a sensibilidade do preço de uma obrigação face a oscilações das taxas de juro, embora seja um risco importante a ter em conta.

Ao longo dos próximos anos, a subida das taxas de juro será, indubitavelmente, uma das temáticas em cima da mesa dos Bancos Centrais. Desconhece-se exatamente quando é que isso vai acontecer, mas é certo que em algum momento as taxas de juro irão subir. Na Fidelity, “esperamos que a subida das taxas seja longa e prolongada para que, conforme demonstrado, tenha menor impacto sobre os retornos das obrigações”, conclui.

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