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Descubra os "três mosqueteiros" dos últimos cinco anos


Em meados de setembro de 2008, o banco de investimento norte-americano Lehman Brothers abriu falência,  sobretudo devido ao problema do subprime. Desde então, os mercados tornaram-se mais voláteis. O VIX, índice que mede a volatilidade implícita das opções sobre o S&P500 a presenta uma média de 20,3%, tendo atingindo um pico de 80,9%, nos últimos cinco anos.

Assim, a volatilidade tornou a gestão dos fundos de investimento num desafio ainda maior para os gestores, nos últimos cinco anos. Esse desafio pode ser analisado através do Alfa, que é a medida de avaliação da ‘performance’ mais utilizada para medir a contribuição do gestor para o desempenho final do fundo.

Nos primeiros cinco anos após a falência do Lehman Brothers (Setembro 2008-Setembro 2013), os dados da Morningstar mostram que os 198 fundos nacionais com dados sobre o período, tiveram em média uma rendibilidade anualizada de 1,59%. Já o Alfa apresenta uma média de -2,77%, mas apenas com 131 fundos analisados.

Apesar do Alfa médio estar negativo, existem algumas exceções. Os melhores Alfa nos últimos cinco anos, pertencem aos fundos ES Obrigações Europa, gerido por Vasco Teles (Alfa de 5,08%), o CaixaGest Energias Renováveis gerido por Guilherme Piedade (Alfa de 3,55%) e ainda o Santander Multitaxa Fixa, gerido por Bernardo Oliveira e Fran Simon (Alfa de 2,28%). Quais foram as grandes aprendizagens destes cinco anos? E como será o futuro? Foram algumas questões que foram respondidas pelos “três mosqueteiros” dos Alfas.

Há cinco anos atrás…

Nos últimos cinco anos, muita coisa aconteceu nas finanças mundiais. A crise do subprime, a ascensão e consolidação da China e a crise da dívida soberana nos países periféricos europeus foram apenas alguns dos acontecimentos que marcaram o período pós 2008 e tornaram a palavra volatilidade numa das mais marcantes.

Para Vasco Teles, que pertence aos quadros da ESAF desde 2007, os últimos cinco anos “coincidiram com aquele que poderá ser considerado o período mais turbulento de sempre da economia mundial. Será sempre difícil tirar ilações conclusivas, dadas as rupturas observadas e o grau de dispersão de comportamentos entre activos, por vezes dentro da mesma classe, muitas vezes impulsionados mais por factores técnicos do que fundamentais.” Já Guilherme Piedade, gestor do fundo Caixagest Energias Renováveis desde 2008, afirma que “a principal lição dos últimos anos é que a diversificação e a alocação dinâmica entre os investimentos são ferramentas fundamentais na criação de valor para os participantes do Fundo”.

Já a dupla de gestores do Santander Asset Management afirma que “neste passado recente, verifica-se que é fundamental ter uma boa análise de risco às economias e à inter-relação entre elas num mundo global”. Ficou demonstrado que as economias que tinham acumulado muitos excessos, ficaram vulneráveis a mudanças significativas das condições económicas globais. Um bom conhecimento da situação global ajuda a tomar decisões dos riscos que queremos tomar para optimizar o rendimento dos nossos investimentos”.

O sucesso

Guilherme Piedade, da Caixagest, afirma que “diversificação efetuada permitiu construir uma carteira com uma relação equilibrada entre risco e retorno”, com a carteira do fundo a ser constituída por segmentos bastante distintos como: ações de empresas de energias renováveis, projetos de geração de energia solar e eólica, licenças de carbono ou ativos florestais.” Já a dupla de gestores do Santander Multitaxa Fixa afirma que a entidade “sempre destacou a importância de contar com as vantagens de ter um estrito e disciplinado controlo de riscos”.

Também Vasco Teles mostra a importância da entidade. “Ter uma estrutura sólida como a ESAF, será o primeiro factor diferenciador para um fundo de investimento. Em segundo lugar, as valências da equipa de investimento, com cerca de 30 profissionais nas diversas categorias de activos e tipo de carteiras, foram fundamentais na leitura do mercado e da situação inédita que os mercados de capitais atravessaram”. O gestor destaque ainda dois momentos: “a percepção, na sequência das falências sucessivas de empresas financeiras nos EUA em Setembro de 2008 que taxas de juro nominais de 4% não seriam suportáveis para as economias ocidentais nos anos subsequentes, dado o grau de desalavancagem financeira a que estariam sujeitas” e ainda a “conclusão rápida, na sequência dos primeiros sinais da crise na Grécia no início de 2010, que a mesma se alastraria a toda a periferia”.

O futuro

Para Guilherme Piedade, “o grande desafio para o espaço das energias renováveis passa, sobretudo, pelo compromisso, suporte e clarificação ao nível das medidas políticas que os diferentes governos devem tomar”. Já Vasco Teles destaca que é preciso “manter um equilíbrio saudável das carteiras, entre risco de taxa de juro e risco de crédito, que não descure a necessidade de permanente escrutinar e questionar o risco/benefício de cada posição”.

Para Bernardo Oliveira e Fran Simon o “principal desafio para as economias é poderem levar a cabo as reformas necessárias para saírem reforçadas desta crise”.  Ambos os gestores acreditam que “irão surgir múltiplas oportunidades de investimento, onde estaremos atentos, para podermos aproveitá-las. No contexto actual, a gestão tradicional de buy and hold até a maturidade deixa de ser eficiente em detrimento de uma gestão activa de um fundo, que acreditamos que permitirá a obtenção de melhores resultados”.

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