Demasiada emoção, foco no curto prazo e muito mais: os erros dos clientes segundo os consultores de investimento


Compreender o papel e a responsabilidade atual dos consultores de investimento no cenário de mudança atual: foi esse o repto que a Natixis Global Asset Management “aceitou” ao elaborar um questionário a 2.400 profissionais desta área provenientes do continente Americano, Ásia, Europa e Médio Oriente, nos meses de junho e julho de 2015.

Um das primeiras conclusões do “2015 Global Survey of Financial Advisors” é que os consultores de investimento e os clientes têm visões diferentes no que toca aos retornos médios a longo prazo. O estudo da gestora mostra que 83% dos profissionais inquiridos acredita que prevenir os clientes de tomarem decisões emocionais é importante para o sucesso do seu negócio. A justificar esta perspetiva pode estar o facto dos clientes terem os “pés pouco assentes na terra” para conseguirem fazer as decisões certas.

Os cinco erros dos clientes (dizem os financial advisors)

Numa altura em que 90% dos consultores, em termos globais, refere que a sua capacidade de demonstrar valor para lá da construção do portfólio é um factor de importância crescente no negócio, “este é o momento certo para aconselhar os clientes através das noções básicas de planeamento financeiro de forma a garantir que estão bem equipados emocionalmente para lidar com mercados voláteis e incertos”, pode ler-se nas conclusões do estudo.

No ‘top 5’ dos erros cometidos pelos clientes, segundo os consultores, estão atitudes como tomarem decisões emocionais, focarem-se no curto prazo, não terem nenhum planeamento financeiro, não definirem objetivos claros e, por  fim, não se manterem fiéis ao caminho que estão a percorrer.

Risco: o “assunto” para os clientes

O tema de conversa que os financial advisors referem ser dominante com os seus clientes tem que ver com o risco. Seis em dez profissionais referem que os clientes estão mais interessados em discutir o risco por esta altura, comparativamente com outros anos anteriores. São os profissionais alemães (76%), os italianos (75%) e os espanhóis (75%) os que mais apontam o risco como principal preocupação para os seus clientes. No entanto, tal como a entidade também alerta, importa referir que este inquérito foi realizado nos meses de “auge” da crise grega e, por isso, os investidores poderiam estar mais alerta para o assunto.

O momento da verdade na relação entre o cliente e o consultor financeiro encontra-se quando se olha para a carteira de investimento. Mais de ¾ dos financial advisors referem que um portfólio tradicional de obrigações e ações poderá já não ser suficiente para corresponder aos objetivos de retorno dos clientes, bem como ao equilíbrio de risco por eles pretendido. Denote-se que a percentagem de inquiridos que pensa desta forma subiu 25% face ao inquérito de 2014. Quase 7 em 10 questionados entende que a tradicional ‘style box analysis’ já não é um método suficiente para assegurar diversificação. Outros 63%, por outro lado, acreditam que os consultores financeiros necessitam de substituir a construção tradicional do portfólio e as técnicas de diversificação de forma a conseguirem melhores resultados.

Mais concretamente no que toca à exploração de estratégias alternativas, da Natixis referem que 7 em 10 consultores apontavam a necessidade de se  implementarem investimentos alternativos, mais concretamente para os investidores com ativos ‘investíveis’ entre 1 milhão de dólares e 4,9 milhões de dólares.

O que fazer para prevenir a subida de taxas?

Outro tema de análise que não falhou na abordagem aos consultores de investimento foi a subida das taxas de juro, especialmente nos EUA. Os resultados mostram que seis em dez profissionais planeiam tomar posições curtas nos portfólios de obrigações dos seus clientes, enquanto que quase metade dos inquiridos se preparam para reduzir por completo as posições em obrigações.46% dos questionados tem nos seus planos aumentar a alocação a ações de forma a fazer frente à iminente subida de taxas. Menor é a percentagem dos consultores de investimento que referem aumentar a exposição a alternativos caso as taxas subam: 37%. 

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