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Deflação ou inflação baixa? Descubra o que pensam os gestores nacionais


“Não há deflação na Zona Euro”. Esta foi a frase usada na semana passada por Mario Draghi, que assegura que apenas existe a expectativa de inflação baixa por um período longo de tempo. O que pensam os especialistas da indústria nacional? Será o termo “deflação” demasiado precipitado?

Filipa Teixeira, da Patris Gestão de Activos, começa por recordar que o BCE “decidiu manter a taxa associada às operações principais de refinanciamento (REFI) nos 0,25%, o que corresponde ao mínimo histórico para esta taxa de referência”. Desta forma, a decisão “não constituiu uma surpresa para o mercado, apesar da taxa de inflação relativa a Janeiro ter voltado a descer, para 0,7% yoy. O BCE continua a defender que as taxas de juro irão manter-se baixas por um período de tempo relativamente longo, levando à questão do que é expectável, se inflação baixa ou deflação”, refere a head of research da entidade. Filipa Teixeira acredita que “Draghi desvaloriza a inflação, defendendo que as expectativas inflacionistas estão bem ancoradas, apesar do baixo nível de inflação, e que a Europa não é como o Japão”. O Presidente do BCE, diz a especialista, “defende aliás, uma visão relaxada acerca da deflação, pelo facto dos dados recentes de baixa inflação serem parcialmente devidos aos preços da energia e bens alimentares. Não existem evidências de que os consumidores estejam  a atrasar aquisições, o que revelaria sintomas de pressões deflacionistas, e a procura final na Europa está claramente no caminho da retoma”. Filipa Teixeira acredita que “a inflação é um indicador retardado de crescimento económico, e os dados de actividade estão sem dúvida a melhorar, sugerindo que de facto a deflação não é expectável”. No entanto lembra que “são comuns os lags económicos entre uma melhoria de crescimento e uma recuperação da inflação, como o exemplo dos EUA: o crescimento do PIB atingiu os mínimos em finais de 2009, contudo a inflação só parou de cair mais de 1 ano depois”. Nesse ano “as expectativas de inflação caíram lado a lado com os dados de inflação, independentemente de melhorias de crescimento”, relembra.

 

Pedro Ortigão Correia, Managing Partner da ASK - Advisory Services Capital , começa por dizer que "a problemática inflação ou deflação vai depender essencialmente da gestão dos estímulos monetários por parte dos Bancos Centrais”. No seu comentário, Mario Draghi referiu “que tudo fará para evitar um quadro deflacionista, à semelhança da Fed”. No entanto, o economista acredita que “se ambos errarem na dose, a massa monetária em circulação não passará desapercebida”. “Essa probabilidade tem-se mostrado reduzida, e o cenário central é de um mundo em modo excesso de oferta e baixa procura, quadro típico de um ambiente deflacionista”, conclui.

 

Jorge Guimarães, da Banif Gestão de Activos, acredita que “apesar de a taxa de inflação continuar a abrandar, parece-nos que num cenário de aceleração económica dos mercados desenvolvidos (que continua a ser o cenário base da maioria dos investidores), não devemos cair num cenário de deflação, mas sim manter-nos num período de inflação controlada”. Desta forma, o profissional refere que esse controlo é importante “para que as perspectivas positivas dos mercados financeiros se mantenham, pois num cenário de deflação a maior parte dos activos de risco terá rentabilidades negativas.

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