Default grego: o que os mercados devem (ou podem) esperar


Agradar a gregos e a troianos é quase impossível. Esta máxima não podia ser mais apropriada atualmente. O Primeiro Ministro grego, Alexis Tsipras, apresentou a Bruxelas a proposta do seu governo (que acabou por ser ignorada), enquanto ao revés, a Troika, elaborou a contra proposta que  materializa a vontade dos credores, e até onde estes estão dispostos a ir para chegar a um acordo com o país helénico.

Manobras políticas à parte, uma das questões mais importantes que os mercados financeiros se estão a colocar por esta altura é simples: “Quão afectados poderão ser por um default grego?”. Alan Cauberghs, senior investment director de fixed income na Schroders recorda que é já a partir desta semana que a Grécia poderá deixar de pagar a sua dívida e, desta forma, importa saber os impactos para os investidores. Vamos por partes:

 Ligações sistémicas reduzem-se

Alan Cauberghs começa por referir que uma das primeiras consequências do incumprimento no pagamento ao FMI será “a saída da Grécia da Zona Euro e, consequentemente, um default nos credores europeus”. O especialista sublinha que a ligação da Grécia ao sistema financeiro europeu diminuiu substancialmente em 2012, quando um dos mais significantes acordos de restruturação da dívida retirou 100 mil milhões de euros dos passivos do país. 

Quem detém a dívida grega?

A dívida grega é detida essencialmente pelo Fundo de Europeu de Estabilização Financeira (na sigla em inglês EFSF), Banco Central Europeu e pelo Banco Europeu de Investimento, possuindo estes organismos também alguns empréstimos bilaterais. O profissional da Schroders sublinha contudo que o grau de exposição direta à dívida grega pelos governos da Zona Euro se situa nos 302 mil milhões de euros, o que  representa apenas 3% do PIB da região (excluindo a Grécia). Assim sendo acredita que “o impacto direto de um default grego deverá ser limitado”.

Impacto do default

Alan Cauberghs enumera alguns factos que podem ser barómetros para perceber a dimensão de um possível default. Relativamente por exemplo à exposição que o BCE tem à dívida grega esclarece que esta acontece essencialmente por via da Assistência de Liquidez de Emergência (ELA na sigla em inglês), “o que permite que os bancos gregos continuem a aceder a liquidez adicional até que consigam fornecer colaterais elegíveis”.

Risco de contágio

O tão falado risco de contágio é outras das consequências que o senior investment director se apressa a desmistificar. “O risco de contágio da dívida grega tem sido teoricamente silenciado pelo Mecanismo de estabilização europeu”, diz. “Este organismo, que se cifra em cerca de 500 mil milhões de euros, deverá manter os fluxos de dinheiro para os estados que serão afectados se existir qualquer ameaça aos pagamentos por causa do default grego”, esclarece. 

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