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DeAWM: "Smart beta"? É melhor "smart alfa"


O que significa CROCI? É o acrónimo de Cash Return On Capital Invested (retorno efetivo do capital investido), e é um método de avaliação que se baseia na análise de fundamentais, destinado aos investidores que querem captar o valor real das empresas. A equipa CROCI – integrada na divisão DeAWM (Deutsche Asset & Wealth Management) – constrói diferentes estratégias de investimento com base neste processo de avaliação. Francesco Curto, responsável pela equipa CROCI Investment e representante dos fundos DB Platinum CROCI, explica os pontos essenciais de uma estratégia que, este ano, celebra o décimo aniversário.

O conceito de investimento "value" é um dos eixos centrais do discurso de Francesco Curto, que demora a explicar em pormenor e de forma didática o processo rigoroso de seleção de valores mobiliários seguido na empresa. Começa, aliás, por uma comparação muito simples: “Se estivesse a explicar à minha mãe o que fazemos, diria que é como ir comprar uma casa. Antes da compra, faço as minhas pesquisas. Se vamos comprar ações, investimos em empresas e há que fazer primeiro um due diligence”. No entanto, Francesco Curto considera que o valor não reside exclusivamente nos dados divulgados nos balanços: “É verdade que os contabilistas não se precipitam, seguem critérios concretos para determinar os padrões das empresas. Mas quando investimos numa empresa, queremos saber o que está dentro e fora do balanço para apurar o valor económico real, e não apenas o valor contabilístico”.

 “O investimento "value" aparece sempre associado a um nome, como por exemplo Warren Buffett. É preciso desenvolver uma abordagem sistemática que não dependa de pessoas”, continua Francesco Curto. Para isso, o grande objetivo é um modelo de gestão ativa sistemática que seja tanto ou mais eficaz do que um gestor ativo, e que seja capaz de gerar retornos nos próximos 20 ou 30 anos.

É aí que reside a origem do modelo de avaliação CROCI. Trata-se de um modelo que, com base na informação pública regular divulgada pelas empresas, faz uma análise profunda dos balanços e das demonstrações de resultados de cada uma delas e aplica um conjunto de regras económicas, independentemente da região e do setor, para determinar o rácio PER (Preço/Lucro) económico das empresas e poder, dessa forma, compará-las e selecionar as mais atrativas. Para o responsável da CROCI Investments, “é neste processo que está o alfa; é como ir comprar uma casa e espreitar o que há debaixo do tapete”; de facto, considera que a base de dados representa 80% do valor total gerado. Esta base de dados é composta por cerca de 800 empresas e é submetida a uma revisão constante, sendo atualizada após cada publicação de novas informações. Há determinados momentos da história em que alguns rácios de avaliação oferecem resultados enganadores. Curto refere, a título de exemplo, que as receitas da empresa são agora um indicador mais fiável do que os fluxos de caixa.

O processo CROCI funciona e oferece uma exposição ao valor muito diferente da de um gestor "value"”, declara o responsável da empresa. A metodologia CROCI apresenta três características operacionais que a diferenciam de outros fundos que aplicam o estilo "value": um nível superior de rendibilidade e de fluxos de caixa, baixa alavancagem financeira e margens mais elevadas e, a rematar, valorizações mais atrativas. Uma vez determinados os valores – uma carteira formada sempre por 30 a 40 títulos, dependendo de cada fundo – são construídas estratégias, replicadas depois nos diferentes fundos de investimento da SICAV DB Platinum.

Entra aqui o segundo conceito essencial para compreender a filosofia CROCI: o que se entende por investidor. Para o profissional, uma coisa é um especulador, que segue constantemente o ruído de mercado para comprar e vender a todo o instante, e outra diferente é o investidor genuíno que entende esse fluxo de notícias como ruído, e antes de investir dedica muito tempo a conhecer a empresa e a determinar se o preço que vai pagar por ela é atrativo. “Se fizermos um bom processo de due diligence, as notícias não são motivo de preocupação. E se escolhermos bem entre o que está barato obtemos mais alfa – é por isso que os fundos DB Platinum CROCI se comportam bem quando o mercado está em alta e travam as quedas nos momentos de correção”, resume o especialista.

Por essa razão, ainda que a metodologia seguida evoque os novos produtos que estão a nascer sob o rótulo de "smart beta" ou "advanced beta", Francesco Curto prefere falar de "smart alfa". “O que procuramos fazer é dar exposição ao valor real das empresas. Não formulamos opiniões sobre aquilo que o mercado vai fazer, e os nossos fundos CROCI geram, normalmente, entre 100 e 300 pontos-base mais do que os respetivos benchmarks com um tracking error idêntico ao de uma estratégia ativa”, acrescenta.

Porquê um fundo gerido com um estilo sistemático, em vez de um fundo com uma gestão meramente ativa? – pergunta o leitor. Francesco Curto dá-lhe a resposta: “Um gestor ativo enfrenta muitos problemas: escalabilidade, consistência, capacidade de cobertura das empresas, emoções que interferem no investimento…”. Daí a ideia de estabelecer algumas regras definidas para uma estratégia de avaliação tradicionalmente ativa. “Dedicamos muito tempo a este processo. Há 20 anos – desde a fundação da empresa – que não mudamos a nossa forma de pensar e, nos últimos 10 anos, também não alterámos a forma de gestão dos fundos CROCI. Em 2008, muitos mudaram a sua forma de investir, mas nós não. E nenhuma das empresas que seguimos declarou falência”, afirma com orgulho. A única alteração desde 2004, explica, foi a localização da equipa CROCI: antes fazia parte do departamento de análise do Deutsche Bank mas, no ano passado, o Banco decidiu que a sua forma de pensar e de trabalhar se enquadrava melhor no departamento de gestão de ativos DeAWM (Deutsche Asset & Wealth Management).

Os produtos mais recomendados

O profissional explica que, atualmente, a CROCI Investments está a trabalhar em várias linhas de investigação no sentido de criar novos produtos: lucros e volatilidade, crescimento sustentável e inclusive fundos de crédito, dado que “quando formamos uma opinião sobre uma empresa, podemos investir em rendimento variável ou fixo”, observa este especialista.

Francesco Curto tece alguns comentários sobre dois dos fundos DB Platinum CROCI. O primeiro, talvez o mais especial pelos resultados impressionantes que tem alcançado, é o fundo DB Platinum CROCI Sectors, disponível em euros e em dólares. É um fundo que investe em setores com base no pressuposto de que não existem prémios de risco. “Quando se está a construir uma carteira, acaba-se por ter sempre os mesmos países e os mesmos setores. Nós não acreditamos num prémio de risco específico, porque as empresas são globais”, justifica. Daí que o filtro inicial seja diferente: são selecionados os três setores mais atrativos segundo a avaliação económica e, dentro de cada um, as dez empresas mais atrativas. Este processo de seleção dá origem a uma carteira de 30 valores mobiliários, formada por setores distintos de outros fundos com iguais características: enquanto a maioria dos fundos orientados para "value" concentra as suas apostas em telecomunicações e elétricas, o fundo DB Platinum CROCI Sectors prefere farmacêuticas, tecnologia e energia. Este fundo gerou um excesso de rendibilidade anualizado de 3,4% desde a sua constituição.

O outro fundo destacado pelo responsável é o DB Platinum CROCI Global Dividends, que segue uma estratégia de seleção de valores mobiliários que distribuem dividendos sustentáveis ao longo do tempo e assentam em fundamentais fortes. “Os dividendos são o que devemos ter em conta quando olhamos para o segmento de obrigações da carteira”, conclui. 

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