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Crise portuguesa: falam duas grandes gestoras internacionais


Andrew Cormack, gestor de fundos de Western Asset, gestora especializada em obrigações da Legg Mason Global AM, cmentou relativamente à situaçaõ de Portugal que “este é o primeiro governo periférico de coligação que está em perigo pela fadiga provocada pela austeridade e é muito pouco provável que vá ser o último”. Portugal continua em recessão, o desemprego continua a aumentar (na actualidade alcança os 17,7%) e a popularidade do actual Governo de coligação caiu a pique. “A nossa opinião é que este recente aumenta da volatilidade e é mais outro sintoma da crise actual: a fadiga que está a provocar a austeridade na periferia está a dar lugar a níveis crescentes de descontentamento social”.

No caso luso, o especialista considera que as recentes renúncias de políticos chave do Executivo aumenta a probabilidade de um cenário de eleições antecipadas este ano. Tudo, somado, poderá dar lugar a uma ainda maior volatilidade no mercado. “Esperamos que a volatilidade continue até que tenhamos mais claridade sobre a postura do actual governo de coligação. Pensamos que os actuais diferenciais não compensam aos inversores pelos riscos potenciais de uma renegociação do actual acordo de resgate que poderá vir a incluir a participação do sector privado (PSI) como foi no caso da Grécia”, assegura o gestor da Western Asset num relatório.

Na mesma linha, pronuncia-se Mónica Defend, directora de Alocação Global de Activos da Pioneer Investments, que considera que estes acontecimentos dão relevo ao mal-estar que se vive no país devido a todas as medidas do programa de austeridade fiscal. “Embora com consequências políticas incertas (a convocatória de eleições antecipadas é o mais provável ou também algum tipo de acordo para continuar com o governo), o impacto que esta crise provocará no mercado vai ser mais importante para Portugal que para outros países. A Troika deve continuar já que não existem necessidades imediatas de liquidez e o Tesouro dispõe de dinheiro para enfrentar os vencimentos do próximo mês de Setembro”, assegura a especialista. 

(Os comentários de gestoras internacionais foram recebidos até à hora de almoço de ontem, pelo que podem não incluir outros eventos posteriores e igualmente pertinentes para a situação portuguesa). 

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