Crise na China: segunda parte


Depois da tempestade vivida pelos mercados na primeira sessão do ano, chegou a calma. Pelo menos de forma momentânea. Os colapsos de 6,85% registados pela Bolsa de Shanghai e de 8,16% pela de Shenzhen a 4 de janeiro, deu lugar a uma sessão bolsista, a de 5 de janeiro, que foi de estabilização, com perdas de 0,26% em Shanghai e de 1,36% em Shenzhen. Foi um sessão menos dolorosa em termos de rentabilidade, mas igualmente volátil. A sessão começou com fortes descidas que pouco a pouco se foram corrigindo com as compras, o que fez com que o mercado de Shanghai chegasse a subir cerca de 0,4% e meio da sessão. Contudo, no final da sessão, o vermelho voltou a impor-se, embora de forma muito mais moderada do que na sessão anterior, o que trouxe de novo a calma as bolsas, também às europeias, que foram as principais prejudicadas pela crise da bolsa chinesa. Os castigos foram especialmente intensos na Alemanha, onde o DAX perdeu mais de 4%.

Na sessão de 5 de janeiro alguns dos títulos mais castigados do mercado europeu, principalmente empresas com um importante negócio de exportação para a China, recuperaram timidamente, um comportamento insuficiente para conseguir recuperar as perdas da sessão anterior. Depois da descida de 3% encaixada na primeira sessão do ano, o EuroStoxx 50, índice que reúne as principais empresas paneuropeias, encerrava a sessão de quarta-feira praticamente plano, com a Volkswagen a encabeçar as perdas, ao sofrer uma queda de 5%. As bolsas de Frankfurt, Paris e Milão também encerraram com a mesma apatia e um comportamento praticamente inalterado, que os impediu de se recuperarem das quedas da primeira sessão do ano. Na bolsa nacional, por seu turno, foi dia da quarta queda consecutiva, com o PSI-20 a descer -0,3%.

Primeiro teste ao protocolo de circuito em caso de descalabro

Depois dos colapsos que viveram as bolsas chinesas em julho e agosto, o regulador bolsista chinês obrigou os grandes acionistas (com 5% ou mais dos títulos de uma empresa em negociação) a reter todas as suas participações durante um prazo de seis meses, que termina esta sexta-feira, dia 8, pelo que a partir de dia 11 haverá quase um bilião de ações que voltarão a ser livres. A Comissão Reguladora do Mercado de Valores da China (CRMV) reiterou que é muito improvável que existam vendas massivas das ações. Segundo explicou um porta-voz da CRMV, existe cerca de um bilião de títulos nas mãos de grandes acionistas aos quais o regulador proibiu a venda, no passado dia 8 de julho, como medida para travar as graves quedas sofridas pelas bolsas chinesas naquela altura, dentro de um prazo de seis meses, diz a agência espanhola EFE. O investimento nas bolsas chinesas está muito limitado e cerca de 90% são investidores particulares.

O que aconteceu foi um primeiro teste ao protocolo de atuação implementado pelas autoridades chinesas em casos de quedas do mercado. A negociação é suspensa durante 15 minutos se o CSI 300 sofrer quedas superiores a 5%. Este novo sistema entrava em vigor na sessão de 4 de janeiro. Então, depois da suspensão e posterior reabertura de negociação, as vendas acentuaram-se e o índice ampliava as suas perdas até aos -7%. Os analistas acreditam que o novo sistema pode ser contraproducente, agravando a volatilidade em vez de a reduzir. “O mecanismo é unicamente um instrumento e não ajudará o mercado a encontrar o seu verdadeiro valor”, assegurou a AFP Shen Zhengyang, da Northeast Securities. “O que mais me inquieta é que a aplicação do sistema vai afectar a liquidez do mercado. Os investidores que querem vender não o podem fazer, e os que querem comprar, também não. As mudanças vão-se reduzir se estas suspensões prematuras acontecerem com demasiada frequência”, explicou a agência em declarações recolhidas pela CNN.

O mercado será volátil em 2016

A volatilidade registada pelo mercado de ações chinês é, e parece que continuará a ser, uma constante, embora nesta ocasião os níveis de volatilidade tenham permanecido relativamente contidos. O índice VIX, principal indicador que mede a volatilidade, situou-se em torno dos 21 pontos, muito longe dos 40,7 que alcançou durante a hecatombe de agosto. Segundo Matthew Sutherland, diretor de gestão de produto da Fidelity na Ásia, provavelmente os mercados de ações vão ser voláteis este ano. “É melhor os investidores habituarem-se e não entrarem em pânico nos dias débeis, mantendo um enfoque tranquilo e disciplinado nos seus investimentos, algo particularmente importante no caso da China”, sublinha o especialista. Também da Groupama AM esperam volatilidade a curto prazo. “Espera-se, como mínimo, que o mercado de títulos chinês sofra altos e baixos nas próximas semanas. O índice de Shanghai está bastante caro, já que negoceia a quase 18 vezes os lucros”.  

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