Crescimento, mercados e riscos: os três pontos chave da BlackRock para 2014


Vivemos num mundo de baixo crescimento que está a voltar lentamente à normalidade. Temos tido sorte”. Esta reflexão pode ser o ponto de partida para relatar as previsões de mercado da BlackRock para 2014, que se podem resumir em três palavras: crescimento, mercados e riscos.

Na perspetiva da gestora os Estados Unidos vão crescer 2,5%, “ao dissolver-se o efeito das subidas de impostos e os cortes nos gastos”. Mais difícil é o caso da  Zona Euro, que afirmam que está apenas a ganhar o essencial. A China, dizem, será quem mais vais contribuir para o crescimento global, apesar do abrandamento da sua economia. No que diz respeito ao Japão, os especialistas da gestora manifestam estar divididos em relação às possibilidades de êxito do país. De qualquer das formas existem boas notícias: “as economias desenvolvidas deverão acelerar em conjunto pela primeira vez desde 2010”.

Os especialistas da BlackRock determinam três cenários possíveis para o ano que vem. O seu cenário base, cuja probabilidade é de 55%, é de que se combine um crescimento “morno” com condições financeiras flexíveis. O seu cenário bullish,  com 25% de probabilidade, refere que se possa produzir o que denominam de “uma erupção de crescimento”, com uma aceleração da atividade económica e uma retirada gradual da liquidez. Finalmente o cenário bear (20% de probabilidade), intitula-se de “os desequilíbrios estão a voltar”, e contempla literalmente a possibilidade de que “algumas coisas possam correr muito mal”.

Em qualquer caso, a principal preocupação da empresa gira em torno dos bancos centrais: “o baixo crescimento nominal não pode ser resolvido apenas com políticas monetárias”, afirmam. “O crescimento monetário (que denominam de MQuanty) não soluciona os desequilíbrios por falta de conhecimento, o envelhecimento da população, a burocracia do mercado laboral e as políticas protecionistas”, referem os especialistas. A conclusão que extraem destas observações é de que “os bancos centrais podem atenuar um pouco a dor, mas os políticos têm mostrar reformas estruturais para impulsionar o crescimento”.

Banco do Japão compensará a menor liquidez

“O fornecimento de liquidez irá crescer mais lentamente em 2014, e os mercados invariavelmente vão centrar-se nas mudanças das taxas, muito em níveis absolutos”, continuam os especialistas nas suas perspetivas para 2014. A previsão da empresa é de que a Reserva Federal reduza as compras das obrigações, mas que se sirva da visibilidade ou do forward guidance para conter as taxas de juro.

As previsões para o resto dos bancos centrais não podiam ser mais dispares. Apesar de preverem que o balanço do BCE continue a afundar-se, não descartam a possibilidade de que o Banco de Inglaterra aumente as taxas de juro em função da força da economia. Esperam que o Banco Popular da China endureça ligeiramente a sua política de redução de risco de uma bolha de crédito. Finalmente, apontam que “a reciclagem das reservas das divisas dos mercados emergentes estão a abrandar”.

No entanto, ainda que tenha aumentado a probabilidade de que vários bancos centrais endureçam as suas políticas, a BlackRock considera que a colossal injeção de dinheiro do Banco do Japão vai conter em parte a saída de liquidez. Também não descartam a hipótese de que o BCE adopte políticas mais heterodoxas para enfrentar o risco de deflação, mas nesse caso teriam que enfrentar a mais que provável oposição da Alemanha.

Para os analistas da BlackRock, o ponto chave consiste em saber se há motivo para se preocuparem com a forma como a Reserva Federal vai executar o final do QE.  A previsão dos especialistas é esta: “não vai ser um passeio pelo parque, como alguns políticos gostavam que fosse. Acreditamos que será mais como uma partida de triatlo durante o crepúsculo”. Assim, recomendam que se aplique ao processo “uma boa dose de humildade”. Avisam também que se notará a ausência de compradores que não sejam sensíveis aos preços. “A substituição da compra de obrigações por palavras (forward guidance) é igual a uma subida das taxas de juro e da volatilidade nas moeda”, admitem.

Um ano difícil para as moedas e para as obrigações

Na sua visão para 2014, a BlackRock dá grande importância às divisas, mas não só pela questão de serem geradoras de retornos. No caso da moeda japonesa, chegam a dizer que “um Iéne mais débil é uma força deflacionária global”. Para além disso, a Zona Euro necessita de um euro débil para incrementar as suas exportações. No que diz respeito a um dólar mais forte, a sua pressão sobre as divisas emergentes “criará ganhadores e perdedores”.

Neste sentido, um dos efeitos destes desequilíbrios que mais atenção captou para os analistas da BlackRock é o potencial dos mercados “sobreaquecerem”. No entanto mantêm a calma: não consideram que esse ponto já tenha chegado, mas... “a exuberância irracional pode durar muito tempo, mas já se gastou muita pólvora política e vamos estar a vislumbrar uma bolha”. A conclusão principal, em torno da qual gira toda a visão da BlackRock para 2014, é de que “2014 é um ano para espremer mais sumo para os mercados, e para que se esteja pronto para se desfazer da fruta quando esta começar a secar”. A ajudar está também o facto das obrigações estarem caras há muito tempo.

Cuidado com o que se investe dentro das ações. Para os especialistas, o problema das ações é que  o numerador do rácio PER (preço) que está a gerar os rendimentos, não é o denominador (os benefícios). Daí esta mensagem de aviso: “Os investidores já saltaram do comboio do momento. Efetivamente, apostar na estratégia de ontem vai trazer ganhos outra vez amanhã. Mas o aumento das correlações entre obrigações e ações está a fazer com que as carteiras com uma boa diversificação sejam mais arriscadas do que parecem”.

A última conclusão da BlackRock: “a diversificação é como os seguros. Não se precisa dele, até ao dia em que de facto faz falta”. Desta forma, recomendam que se considere o investimento alternativo como uma opção para 2014. Em concreto, a empresa tem preferência por fundos de mercados neutrais e pelas estratégias centradas em ativos “duros”, como é o caso das infraestruturas. “O risco de descida (a iliquidez) parece um preço justo para os retornos descorrelacionados num mundo de baixo crescimento”, concluem.

 

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