Controlo de riscos de queda e enfoque contrarian: pontos chave sobre a proposta da Franklin Templeton para investir nas small caps europeias


Depois de um 2014 difícil, o investimento em ações de pequenas e médias capitalizadas recuperou atratividade para os investidores, especialmente para aqueles que estão dispostos a ganhar exposição à recuperação europeia. O Franklin European Small Mid Cap Growth é a proposta de investimento da Franklin Templeton Investments embora, como explica Ed Lugo, seu gestor, “a diferença em relação a outros fundos está no enfoque da gestão do risco e de proteção de riscos de queda”. “Tentamos sempre colocar-nos no pior cenário possível”, acrescenta o gestor.

Concretamente, a gestão dos riscos de queda centra-se em três aspetos chave: que a empresa disponha de fortes fluxos de caixa que garantam a sua sobrevivência em momentos de crise, que não esteja endividada, e que negoceie com uma valorização atrativa. Lugo dá como exemplo o quão paciente se pode ser na hora de comprar um título à Zardoya Otis, uma das principais posições em carteira: o título tinha entrado no radar do profissional em 1996 (ano em que assumiu o comando da carteira), mas não o comprou até a crise da dívida soberana estalar e até que a cotação se ressentisse.

Lugo gosta de dedicar muito tempo à análise de um valor – o processo prolonga-se entre quatro e oito semanas antes de tomar uma decisão de compra – e costuma mantê-lo em carteira numa média entre seis e sete anos, o que resulta numa percentagem de rotação muito baixa, entre 16% e os 17% (20% se se tiverem em conta os fluxos de entrada e saída do fundo). “É um fundo gerido com um enfoque de longo prazo, bottom up, ativo, e de alta convicção”, resume Lugo. O tipo de empresas nas quais o fundo investe apresentam uma capitalização entre 100 e 8.000 milhões de euros.

Este apresenta, para além disso, uma carteira muito concentrada, entre 25 e 45 títulos (atualmente tem cerca de 30). Os dez títulos de maior ponderação atualmente são responsáveis por 45% de toda a carteira, embora Lugo aclare que não pode comprar de uma vez mais de 5% da cada título. Embora o nome do fundo contenha a palavra “growth”, o especialista enfatiza que os títulos selecionados costumam situar-se num ponto intermédio entre o growth e o value, pois procuram empresas com uma vantagem competitiva que lhes permita crescer de forma sustentável, mas que negoceiem com uma valorização atrativa.

Títulos contra-corrente

O processo de seleção de títulos para a carteira é disciplinado e estruturado em três partes: primeiro identificam-se ideias de investimento e reveem-se os atributos chave que o título apresente, depois de realizar uma profunda análise fundamental e finalmente se alocar um rating formal (que inclui parâmetros de compra e venda) e se incluir em carteira. Muitas das ideias resultantes deste processo apresentam um forte bias contrarian: “Procuramos oportunidades nas áreas que perderam o apoio do mercado”, resume o especialista.

Por exemplo uma das novas apostas do fundo tem sido em títulos relacionados com a extração do petróleo: “Começámos a comprar títulos do sector da energia pela primeira vez em cinco anos, e agora perfazem 1,26% da carteira. Acreditamos que em geral é muito difícil investir em petrolíferas porque são muito dependentes do preço do crude. Por isso não comprámos quando o barril esteve nos 100 dólares, porque não sabíamos quão longe poderia chegar o preço. Costumávamos dizer às pessoas que iriamos comprar quando caísse para 35 ou 45 dólares, e isso foi o que fizemos, para assegurarmos que temos margem para uma aposta ganhadora”. Outro dos sectores que entusiasma Lugo é o imobiliário, especialmente o espanhol, onde tem investido na SOCIMI (Sociedades Anónimas Cotadas para Investimento Imobiliaria) LAR. “O real estate tem registado uma queda entre 30% e 40%. A LAR destaca-se pela sua habilidade para comprar locais comerciais abaixo do seu valor”, comenta.

No entanto, o representante da Franklin Templeton pontualiza que “o ponto chave de termos batido o índice no último ano tem sido a nossa sobreponderação em valores industriais”. Uma das grandes apostas. também de bias contrarian, foi nos transportes, e mais concretamente no segmento de transportes de mercearias por barco.

Por regiões, os países com maior exposição em carteira são o Reino Unido, Irlanda, Espanha e Itália. “É uma carteira muito sensível à economia, que está posicionada para a recuperação económica”, indica Lugo. Este explica que a partir de uma análise dos programas de estímulo quantitativo postos em marcha nos EUA e Japão, a equipa da Franklin Templeton identificou três fases de muita importância para os investidores. A primeira coincide com o anúncio do programa e é rapidamente seguida por um rally na bolsa; na segunda fase, quando já está aplicado o QE, constata-se num aumento da confiança da economia através da melhoria dos indicadores macro. Finalmente, na terceira fase, constata-se que uma melhoria dos indicadores macro. Finalmente, na terceira fase constata-se uma melhoria dos fundamentais. “Na Europa estamos na fase dois; as equipas diretivas mostram mais confiança e agora estamos a começar a ver melhorias dos lucros. É um processo que vai demorar tempo porque as dinâmicas na Zona Euro são distintas das dos EUA, mas ainda existe muita margem de melhoria que não está refletida nas valorizações”, conclui o gestor. 

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