“Continuamos a ver potencial de valorização do mercado europeu de acções para 2014”


Um ano depois da sua presença em Portugal, Martin Skanberg, gestor de ações europeias da Schroders, voltou ao nosso país para dar uma perspetiva sobre a atual “situação” do Euro Equity Fund, que gere desde maio de 2010. Em entrevista à Funds People, o gestor teceu também algumas considerações mais macroeconómicas, onde focou a presente situação económica na Europa.

Apesar de afirmar que as ações europeias não estão em níveis tão atrativos como os registados no ano passado, Martin Skanberg demonstra não ter dúvidas relativamente à “não existência de risco sistémico na Zona Euro”. No entanto, ao nível da situação bancária o gestor já “torce o nariz”, apontando alguma “indefinição” que pode custar caro ao velho continente.  “Para estreitar o gap entre a Europa e os EUA, existe a necessidade dos bancos europeus começarem a ter muito mais lucro do que o que têm atualmente e mais que isso ter que existir uma melhoria dessas receitas”, explica.

PIB elevado e lucros dos mercados acionistas sem correlação direta

A palavra “Alemanha” é, na sua perspetiva, fundamental no que diz respeito às melhorias económicas, já que “não pode haver recuperação na Europa/Zona Euro sem a Alemanha liderar”, porque é um país que “tem beneficiado de taxas muito baixas e tem sabido aproveitar os bons resultados das exportações”. Martin Skanberg alerta no entanto que a “Alemanha tem tido alguma subida de salários, na ordem dos 5-6% nas zonas industriais, o que a coloca numa posição de ligeira desvantagem”; contudo, explica que ainda assim “os salários entram necessariamente na receita do país, o que é benéfico para a economia alemã”. Contudo deixa um alerta: um produto interno bruto (PIB) elevado não está diretamente correlacionado com elevados lucros dos mercados acionistas/empresas. O gestor dá um exemplo disto com a economia chinesa que tem o crescimento de PIB mais alto da útima década, mas que tem também a pior performance dos mercados acionistas nos últimos sete.

Frisando esta perspetiva Skanberg afirma que “existem vários estudos, feitos nos EUA e globalmente, sobre a relação entre o crescimento do PIB de um país e os rendimentos dos mercado de ações, e basicamente eles mostram que não há relação entre o que nós consideramos ser o crescimento rápido de um país e uma melhor performance dos mercados”.“Acontece precisamente ao contrário”, diz.

Evitar colocar “todos os ovos no mesmo cesto”

Para o gestor a fórmula atual para se obter algum sucesso numa “incursão” pelas ações europeias passa por “olhar para elas numa base de valor intrínseco, já que esse valor é muito atrativo em termos das yields produzidas”, nunca esquecendo a “construção de uma carteira diversificada, através de diferentes geografias, diferentes setores e diferentes espetros de risco”.

Esperançoso, o gestor de ações europeias da Schroders, acredita que a “Europa como um todo, em países específicos ou em sectores específicos, é muito atrativa em termos de valor”.  Fazendo uma comparação com os EUA, com o Japão ou com o Reino Unido, o gestor diz que “há uma série de evidências históricas empíricas de que a Europa é um mercado muito atrativo, ainda mais com os sinais de uma recuperação económica em 2014”.

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