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“Continuamos a acreditar que existe um suporte relevante nas empresas exportadoras”: 3.º ‘Quiz’ aos gestores de fundos de ações nacionais


- De que forma prepararam a carteira do vosso fundo para este novo ano?

O novo ano é preparado com a antecipação dos temas e variáveis que, do nosso ponto de vista, poderão impactar materialmente as posições que temos em carteira. Feita a avaliação de cenários, a rotação estratégica dos activos ocorre somente quando algum evento relevante afecta a percepção de valor que temos para as empresas em causa. Desta forma, estamos posicionados para um crescimento da economia norte-americana e Europeia que, adicionando o efeito positivo cambial, deverá suportar as vendas das empresas exportadoras. Reconhecemos, por outro lado, a possibilidade de ocorrência de cenários alternativos que possam questionar o crescimento na economia da Zona Euro, privilegiando sectores mais defensivos como o Retalho e as Utilities.

- Quais os principais receios que têm em relação ao PSI 20 neste momento?

No curto-prazo, subsistem algumas questões específicas e de interesse estratégico que terão que ser clarificadas para certas empresas do sector Retalhista, Telecom e Financeiro. Por outro lado, a incapacidade de revitalizar o mercado através da atracção de novas empresas, a reduzida liquidez dos títulos com menor capitalização bolsista e a concentração excessiva do índice continuam a ser temas estruturais que colocam desafios acrescidos à gestão de fundos nacionais.

- Quais as principais esperanças/ oportunidades que veem no PSI-20?

Por via do crescimento, continuamos a acreditar que existe um suporte relevante nas empresas exportadoras, que beneficiam pelo facto de as suas vendas se encontrarem indexadas ao Dólar e por apresentarem uma estrutura de custos domiciliada em Euros. Por outro lado, empresas que continuam a transaccionar a desconto face à nossa visão do seu valor intrínseco, deverão continuar a constituir apostas interessantes. Empresas como Altri, Corticeira Amorim, EDP Renováveis, Sonae ou Sonae Capital enquadram-se nos nossos critérios.

- Como se reage a quedas para mínimos como as que aconteceram nos últimos dias?

Se tomarmos como certo que 2016 será um ano em que a volatilidade dos preços dos activos será persistente, a melhor reacção será a de ter a capacidade para questionar os pressupostos estabelecidos antecipadamente pela equipa de gestão e, em caso de quebra material dos mesmos, ter a coragem de actuar no tempo certo. 

- George Soros comparou o quadro atual à crise de 2008, o Royal Bank of Scotland aconselha os investidores a venderem todas as posições, a SocGen diz que o S&P 500 pode afundar 75%... Como se gere fazendo "ouvidos moucos" a este tipo de noticias?

A gestão tem que ser feita avaliando de forma prudente o desvio entre aquilo que o sentimento de mercado anuncia e a evolução factual de temas que achamos importante monitorar, como a actuação dos Bancos Centrais, a evolução da taxa de inflação, as consequências da mudança de paradigma na China e o seu efeito na evolução do ciclo económico global, o comportamento dos preços das matérias-primas e o seu impacto nas decisões de investimento das empresas, a capacidade e/ou vontade das empresas em prolongar a actividade de fusões e aquisições e a recompra de acções próprias.

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