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Continua o vermelho e começam a surgir vários amarelos!


Convém desde já referir que este artigo não tem a ver com futebol, apesar de estarmos no início de uma nova época.

Findas as férias (pelo menos para mim!) convém analisarmos alguns aspetos da economia portuguesa.

Os indicadores económicos têm sido positivos, mas… O PIB cresceu no 2º trimestre 2,8% face ao período homólogo de 2016 e o desemprego está no nível mais baixo desde 2008, abaixo dos 9%.

Contudo, se analisarmos o crescimento do PIB, vemos que a evolução voltou a depender essencialmente da procura interna em detrimento da procura externa.

Se aliarmos a este facto, o crescimento do crédito ao consumo e o aumento das importações, não é de estranhar voltarmos a ter um défice externo a crescer significativamente.

E aqui reside o primeiro sinal amarelo. O consumo cresce mais depressa que o rendimento disponível, fazendo aumentar o valor do endividamento e baixando significativamente a poupança, fator crucial para um crescimento sustentado.

O segundo sinal amarelo é que, basta o consumo e o investimento aumentarem, para as importações dispararem e, com isso, voltarem o desequilíbrio da balança comercial e o défice externo. Ou seja, o modelo económico português mantém grande parte das fragilidades históricas.

O terceiro sinal amarelo é a queda continuada da poupança, estando hoje a um terço do que estava no final do século passado. Em 2016, a taxa de poupança das famílias ficou em cerca de 4,5% (continua a cair em 2017), valor extremamente baixo nomeadamente face ao valor do mesmo indicador na União Europeia (acima dos 10%).

O quarto sinal amarelo é que a produtividade continua baixa e sem mostrar perspetivas de franca melhoria.

O quinto sinal amarelo prende-se com o Orçamento do Estado para 2018. Com a generalidade das notícias da comunicação social e com as declarações de certos políticos a elogiarem a situação económica do país (alguma vezes com o exagero demagógico habitual), o governo vai ter muita pressão dos partidos que o apoiam para aumentar a despesa pública. Não se esqueçam que estamos em ano de eleições! Ou seja, mais pressão para a dívida pública.

E este é um sinal vermelho cada vez mais carregado: a continuação da subida do valor da dívida pública. Urge que o Estado comece a racionalizar e não a cativar às cegas. Para além do excedente primário, o défice público terá que continuar a aproximar-se rapidamente de zero, ou até mesmo existir um ligeiro excedente orçamental.

Com tantos sinais amarelos e com um sinal cada vez mais vermelho, será que estão garantidas as bases de um crescimento económico sustentável?

Este é um tema que merece uma reflexão profunda de todos os economistas deste país. Pessoalmente, penso que as reformas estruturais têm que ser urgentemente reativadas, caso contrário, não há crescimento económico sustentável. 

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