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Conhecimento mais heterogéneo impõe-se aos gestores em 2020


“Asset Management 2020 – a Brave New World” é o nome de um estudo realizado pela PwC que, entre muitas outras conclusões, indica por exemplo que os ativos globais para a indústria de gestão de ativos vão crescer para mais de 100 biliões de dólares em 2020, com uma taxa composta anual de crescimento de quase 6%. Apesar destas serem boas notícias, as conclusões não se ficam por aqui. Daqui a 6 anos existirá também uma pressão ao nível do desempenho dos próprios gestores. Segundo a consultora, em 2020 vamos estar perante uma “Nova geração de gestores globais”. Entre muitas das exigências estão por exemplo a necessidade de um maior reforço das atitudes de distribuição através de alianças com canais de distribuição. Para além disso, também o perfil do gestor terá de mudar, sendo-lhes requerido um maior conhecimento ao nível cultural e da diplomacia.

Qual é a realidade que existe nos dias de hoje? Os gestores estão longe desta panóplia variada de conhecimentos? Conheça a opinião dos profissionais nacionais.

Diogo Serras Lopes, diretor de investimentos do Banco Best, acredita que gerir implica necessariamente um conhecimento heterogéneo. “A realidade nunca é apenas técnica ou económica, sendo a intersecção dos diversos efeitos essencial para a compreender de uma forma mais completa, o que permite tomar decisões com maior probabilidade de serem corretas”, refere. Para o especialista, nos últimos tempos temos estado perante “tentativas artificiais de separar esferas, por exemplo entre o técnico e o político, que muito raramente dão bom resultado, especialmente num mundo que vai ficando cada vez mais complexo”. Para o profissiona, “ainda há um caminho importante a percorrer relativamente a um conhecimento mais heterogéneo por parte dos gestores”.

Para Filipa Teixeira, Head of Research da Patris GA, “existirá hoje uma realidade mista, embora seja comprovável o maior sucesso alcançado pelos gestores que têm de facto um conhecimento mais heterogéneo”. Numa perspetiva de evolução, a especialista acredita que “à medida que o mundo do trabalho continua a mudar, também as características e qualidades dos gestores têm que necessariamente evoluir”. A profissional da Patris indica que se “assistem a alterações dramáticas tanto em termos comportamentais como tecnológicos, não só na nossa vida pessoal como profissional. Isto significa que um gestor eficiente no passado não o continuará a ser no futuro a não ser que acompanhe a evolução dos tempos”. Para a especialista é “indiscutível que factores externos, como turbulência económica, agitação política e efeitos cascata de desastres naturais representam riscos directos à rentabilidade de determinadas carteiras e componentes específicos das mesmas. Gerir esses riscos, bem como saber reconhecê-los e contorná-los, exige sem dúvida a referida panóplia variada de conhecimentos”.

Filipa Teixeira lembra também que uma das dimensões importantes de hoje em dia é a componente relacional com os clientes, e que é “directamente relevante para o sucesso da mesma que um gestor possua as qualidades referidas tais como diplomacia, cultura, política. verifica-se uma clara tendência para os clientes se tornarem cada vez mais sofisticados, cultos e exigentes”. Concluindo, a especialista reitera que “um gestor que não acompanhe esta evolução rapidamente perderá a confiança e empatia do seu cliente”.

Na opinião de Pedro Ortigão Correia, Managing Partner da ASK – Advisory Services Capital, “as características exigidas a um gestor de carteiras nos dias que correm, prendem-se muito mais com a sua capacidade para entender e gerir o risco, do que com o conhecimento detalhado das empresas em que investe|”. Por isso, para o especialista “a globalização dos mercados de capitais tornou cada vez mais difícil a vida aqueles que confiavam técnicas do passado, com base no puro "bottom up". As assimetrias de informação são cada vez mais raras, reflectindo constantemente os preços toda a informação disponível”. Pedro Ortigão Correia conclui que “entender as dimensões de risco das classes de activos e a probalidade dos famosos "fat tales", é o que seguramente distinguirá os bons gestores nos próximos anos”.

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