Como saber se entrámos num bull ou num bear market? Pergunte ao Twitter


As redes sociais converteram-se em mais uma ferramenta para identificar tendências e gerar ideias de investimento. Agora, um estudo estatístico do Banco Central Europeu vai mais além ao constatar que uma destas redes o Twitter – pode servir como indicador do sentimento dos investidores e, por fim, do comportamento dos títulos da bolsa.

A partir de dados compilados entre 2010 e 2012, os autores do relatório - Huina Mao e Johan Bollen, da Universidade de Indiana, e Scott Counts, da Microsoft Research – concluem que “o valor  preditivo do sentimento bullish no Twitter, relativamente ao preço das ações (...) é significativo em termos estatísticos e económicos”. E não apenas isso, mas também “um sentimento bullish elevado no Twitter traduz-se num aumento da rentabilidade diária para o dia seguinte, voltando aos níveis normais entre dois e cinco dias depois”.

Para realizar os estudos analisaram a incidência das palavras “bullish” e “bearish” entre os usuários do Twitter dos Estados Unidos – o maior mercado do mundo e que conta com um maior número de usuários da rede social – Reino Unido e Canadá – países com bolsas desenvolvidas, onde o Twitter tem uma sólida presença – e a China, onde está proibido o uso e, por isso, serve como mercado de controle.

A vantagem de usar estes termos (e os seus equivalentes em chinês), explicam, é que “costumam estar bastante restringidos a um contexto financeiro, pelo que têm mais probabilidades de ser um indicador inequívoco do sentimento bullish ou bearish dos investidores”, sobretudo tendo em conta que medem impressões partilhadas de forma voluntária e espontânea pelos próprios usuários do Twitter, por contraposição, por exemplo, às respostas que podem ser dadas aos questionários que se empregam tradicionalmente para avaliar o sentimento dos investidores.

Outra das conclusões do estudo é que o valor preditivo ocorre apenas em mercados nos quais a rede social está muito implantada: enquanto que a correlação é significativa nos três mercados anglo-saxónicos referidos, é praticamente inexistente no gigante asiático. No entanto, os autores recordam que a correlação não implica causalidade, pelo que apostam no desenvolvimento de novos estudos para tentar determinar a relação causal entre a rede social e os mercados financeiros.

À frente do Google

O estudo também analisa a incidência destes conceitos no motor de busca por excelência: o Google. E a conclusão é que não só “existe uma correlação positiva e estatisticamente significativa entre o sentimento bullish no Twitter e no Google”, como também “as variações no sentimento bullish no Twitter preveem variações no bullish do Google, o que indica que a informação do Twitter precede as buscas no Google”. 

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