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Como resolver o problema da liquidez no mercado de obrigações


Ao longo dos últimos meses tem aumentado entre os investidores a preocupação sobre a liquidez do mercado de obrigações e o recente aumento da volatilidade – que para muitos especialistas será em 2015 de níveis ainda mais elevados do que em 2014 – complica a situação. “Os mercados costumam ter uma obsessão pelo que é negativo e desta vez não é diferente”, assinala Gene Frida, estratega global no Moore Europe Capital Management, numa tribuna publicada recentemente no Financial Times.

“O medo de que a Grécia abandone a Zona Euro, a desaceleração do crescimento chinês, o excesso de oferta petrolífera ou alguns dados de crescimento e inflação piores do que o esperado têm sido assinalados como os culpados do aumento mais forte da volatilidade nos últimos três anos”. No entanto o especialista atribui este crescimento da volatilidade a outro factor: a transformação que os mercados financeiros viveram desde 2008.

Os esforços para tornar mais seguro o sistema financeiro centraram-se no aumento dos rácios de capital dos bancos e na penalização das atividades consideradas de maior risco, com maiores custos de capital”. Frieda argumenta que esta situação fez com que os bancos se mostrem cada vez menos dispostos a fazer intermediação nos mercados com tendência de queda, o que se viu refletido numa forte redução nos stocks de títulos de dívida dos bancos.

Por outro lado, os programas de expansão quantitativa postos em marcha pelos principais bancos centrais levaram os investidores a procurar retornos em ativos de maior risco e, em geral, menos líquidos. Na opinião de Frieda, esta combinação de intensa regulação e políticas monetárias não convencionais está por detrás dos desequilíbrios a que se assiste na liquidez dos mercados de obrigações.

“A menor liquidez cria a ilusão de que os rallies do mercado são suportados pela força subjacente, quando, na verdade, parte dessa fortaleza é simplesmente uma parte da deterioração da profundidade do mercado”, alerta o especialista, que avisa que, ao julgar pela fortaleza dos fundamentais no comportamento dos mercados de ativos, gerou-se “uma falsa sensação  de segurança sobre a solidez da recuperação norte-americana e a resistência da Zona Euro a novos shocks”.

Frieda identifica alguns riscos, como o facto da intermediação bancária estar a passar das entidades bancárias para as não bancárias, “gerando uma dependência cada vez maior das gestoras de ativos que fornecem crédito”, ou então a tendência generalizada entre bancos e gestoras de oferecer liquidez diária para ativos do mercado de obrigações com durações longas e, muitas vezes, sem liquidez.

Possíveis soluções

Frieda partilha três medidas que na sua opinião poderão contribuir para resolver o problema da liquidez no mercado de obrigações. “Em primeiro lugar, a definição do que constitui um ativo líquido para um fundo de investimento, tanto nos EUA, como na Europa, não é coerente com as novas definições impostas aos bancos, pelo que deveriam ser atualizadas para classificar os ativos em categorias que reflitam melhor a liquidez do mercado subjacente”. Prossegue, e em segundo lugar refere que “as condições de reembolso dos fundos que investem em ativos menos líquidos deverão ajustar-se à liquidez real dos ativos”.

Por último o especialista defende que os reguladores ajudem a “coordenar soluções coletivas por parte das gestoras de forma a criar novas plataformas que permitam melhorar a liquidez dos mercados de obrigações”. “Na tentativa de resolver os problemas do sistema anterior, os reguladores criaram novos problemas e, por isso, deverão acabar com estes desequilíbrios antes que as consequências sejam mais graves”, conclui. 

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