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Como está ser sentido o declínio do grupo Espírito Santo na indústria espanhola?


Os últimos acontecimentos relativos ao grupo Espírito Santo estão a ganhar uma dimensão que chega a ser “pandémica”. As más notícias vindas de Portugal  propagam-se, e já inúmeros fundos de investimento e sicav espanholas sofrem com os malefícios.

durante o início da semana passada, numa primeira fase de “contágio”, cinco gestoras, uma dezena de Sicav, e mais alguns fundos espanhóis foram afetados pela participação em obrigações e ações do Espírito Santo Financial Group, Rio Forte e BES. Deste grupo faziam parte nomes como UBS Gestión, Credit Suisse Gestión, DWS Investments (gestora espanhola do Deutsche Asset & Wealth Management), Alpha Plus Gestora e Renta 4 Gestora, que acabaram por  ver as suas Sicav e fundos sofrerem menos valias por causa da participação que detinham em obrigações maioritariamente do Espírito Santo Financial Group e da Rio Forte Investments.

À medida que a semana foi passando, e que os acontecimentos se avolumaram, mais gestoras espanholas iam comunicando à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) espanhola qual a exposição ao Grupo Espírito Santo. O número de empresas e veículos que registaram perdas mais que duplicaram. Cerca de seis gestoras, sete Sicav, e uma dezena de novos fundos, foram obrigados a reconhecer a sua ligação a ativos emitidos pela holding.

Desta segunda fase de gestoras espanholas afetadas, fazem parte o Banco Madrid Gestión de Activos, o Popular Gestión Privada, o Inversis Gestión, o Bankinter Gestión de Activos, o March Gestión de Fondos e, por último, a própria gestora espanhola do BES, a Espírito Santo Gestión. Estas são empresas que se juntam à UBS Gestión, Credit Suisse Gestión, DWS Investments (filial espanhola de DeAWM), Alpha Plus Gestora e Renta 4 Gestora.

Contagem de danos

As últimas Sicav afetadas foram a Entropia-Praxis (Popular); SLM Iceberg (Inversis); Torrecares Inversiones e Amade Valores (Bankinter); Growsolid (March) e Futura Capital e IVG Ahorro (Espírito Santo).

No que diz respeito a fundos, seis produtos do Banco Madrid, com marca Liberbank sofreram danos. Foram eles os fundos: Rentas, Ahorro, Platinum, Plus, Mix-Renta Fija e Global.

A própria gestora espanhola do BES também conta com fundos prejudicados pela crise da família proprietária da holding a que pertence: o ESAF Global Flexible 0-50, o ESAF Fonplazo 2015, o Global Best Selection e o ESAF 70.

Contas feitas, desde que a crise no grupo Espírito Santo se iniciou, o seu impacto devastador em Espanha já se fez notar até agora em 11 gestoras, 19 Sicav e 12 fundos.

Dimensão do BES em Espanha

Nos país vizinho, o nome Espírito Santo também tem algum peso. No número 64 da revista Funds People Espanha fez-se precisamente o balanço em números da presença do Banco Espírito Santo  no país. “O BES gere em Espanha quase 8.000 milhões de euros: 4.300 milhões vindos da Banca institucional e 3.600 milhões da Banca Privada”. Saliente-se que no final do primeiro semestre, 1.317 milhões de euros eram canalizados através do Espírito Santo Gestión, que aumentou os seus ativos sob gestão em cerca de 16,6% durante este ano, segundo a Inverco (Associação de Instituições de Investimento Colectivo e Fundos de Pensões espanhóis).

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