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Como é que os padrões de consumo norte-americanos? A J.P. Morgan AM detecta possíveis transformações estruturais


No passada sexta-feira voltou a celebrar-se nos EUA a Black Friday, ponto de saída das compras de Natal, com vantajosos descontos cujo modelo tem sido copiado à escala mundial. Na segunda-feira seguinte celebrou-se a Cyber Monday, a resposta digital aos saldos do mundo real, em que as compras da internet voltaram a registar dados milionários que em alguns sectores chegaram a superar as vendas físicas do Black Friday. Ao observar estes fenómenos, os especialistas da J.P. Morgan AM questionam-se se estarão a mudar os padrões de consumo dos cidadãos norte-americanos... e como se pode alterar o rumo de uma economia, na qual o consumo supõe mais de metade do PIB.

Para além disso, da gestora não estão alheios ao facto das vendas a retalho correspondentes  ao mês de outubro terem sido inferiores às expectativas do consenso, ao subirem apenas 0,1%, enquanto que muitas empresas publicaram dados decepcionantes de vendas correspondentes ao terceiro trimestre. Por outro lado, o sector do consumo básico está a ser classificado como o de melhor comportamento no ano dentro do S&P 500, o que leva os especialistas a perguntarem-se o que se pode esperar do sector do consumo.

Em primeiro lugar é importante reconhecer que a maioria do gasto em consumo se ajustou das tradicionais viagens a centros comerciais ao consumo de experiências (férias, almoços em restaurantes) e serviços”, explicam da entidade. É assim que se justifica o facto das vendas de roupa e calçado em outubro de 2015 representarem cerca de 3% do consumo americano, face aos 67% do consumo nos serviços. Por outro lado, no ano de 2000 representavam cerca de 4% e aproximadamente 64%, respetivamente.

Outra das conclusões da J.P. Morgan AM é que tem havido uma transferência de compradores do mundo físico para o mundo online: “Os vendedores de retalho online estão a captar índices de audiência à custa das lojas tradicionais. A quota dos vendedores online, que representam cerca de 16,5% do sector do consumo básico, tem superado significativamente a quota das lojas tradicionais durante os últimos anos”.

No gráfico ao lado observa-se a divergência entre vendedores de retalho com loja física e com loja online. A rentabilidade é medida através de um índice de família S&P equiponderado de títulos vinculados a vendas a retalho, e reflete que o sector tradicional tinha caído cerca de 9% ao ano (dados de 23 de novembro) face ao online, que teria somado cerca de 24% ao ano.

Com que ideias devem os investidores ficar? Tendo em vista 2016 vemos um suporte continuado para o consumidor norte-americano. Em primeiro lugar, as receitas das famílias são sólidos. O poder aquisitivo dos agregados familiares alcançou os 84,3 biliões de dólares no terceiro trimestre, superando o máximo de 82,2 biliões registado no terceiro trimestre de 2007. Alguma dessa riqueza foi usada para pagar as dívidas: o pagamento da dívida dos agregados familiares representou 9,8% do rendimento pessoal disponível (ajustada estacionalmente) do terceiro trimestre  de 2015, bem abaixo do máximo de 13,2% do quarto trimestre de 2007”, especificam da J.P. Morgan AM.

Em segundo lugar, da gestora recordam que o mercado de trabalho norte-americano já mostra sinais claros de ajuste: em outubro foram preenchidos 268.000 postos de trabalho do sector privado, enquanto que o relatório  JOLTS (que indica o número de vagas) refletiu a criação de 5,5 milhões de novos empregos, o segundo maior número desde que este rácio é feito. Para além disso, há que recordar que a taxa de desemprego caiu até 5%, “o que é uma prova suficiente de que o mercado laboral norte-americano se está a aproximar do pleno emprego”.

Por todos estes dados, da J.P. Morgan AM concluem que “a força continuada do consumidor norte-americano apresentará uma ampla gama de oportunidades de investimento”, com a diferença de que com padrões de mudança cada vez mais evidentes, “ser seletivos torna-se essencial, particularmente no sector do consumo básico, onde algumas das empresas lutam por sobreviver enquanto que outras encontram novas formas de obter êxito”. 

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