Como é que a nova vitória de Erdogan pode afectar a economia turca?


O mês de agosto marcou um feito histórico para a Turquia, celebrando-se as primeiras eleições através do voto popular direto no país. Recep Tayyip Erdogan foi eleito o novo presidente da República com 51,8% dos votos – as sondagens apontam para uma participação de 74,4% - revalidando assim o poder que ostenta no país desde que o seu partido, o AKP, ganhou as primeiras eleições em 2002. O 12.º presidente da República da Turquia tomará posse no próximo dia 28 de agosto. Darcie Sunnerberg, analista sénior da Loomis Sayles and Co, gestora associada da Natixis Global Asset Management, analisa o impacto das eleições sobre o curso da economia turca.

Sunnemberg começa a sua análise colocando o foco sobre “quem irá substituir a Erdogan como primeiro ministro, quando este assumir o seu novo papel como presidente, e que mudanças irão ser feitas no gabinete”. Entre a lista de candidatos para presidente, o analista faz menção a Abdalá Gul para o lugar, Alí Babacan para vice-primeiro ministro, enquanto para governador do Banco Central da Turquia aponta Erdem Basic. Tudo isto ao mesmo tempo que se coloca sobre a mesa a questão da influência que terá o novo executivo sobre a autoridade monetária.

“A eleição marcou a primeira de muitas mudanças no sistema político planeado na Turquia”, opina Sunnenberg. Assinala que, como primeiro presidente eleito diretamente pelo povo, “Erdogan usará esta oportunidade para seguir em frente e reorientar a Turquia no sentido de um sistema presidencial, se isso for possível”. O especialista vê uma primeira demonstração destas intenções refletida no discurso que pronunciou o político turco depois de conhecer a sua vitória eleitoral. Nele assegurou que o novo papel do presidente da República deixará de ser testemunhal para passar a ser mais ativo.

“Erdogan está a exigir uma nova Turquia. O êxito para mudar a constituição ou a capacidade para conseguir governar através de um sistema presidencial efetivamente, serão essenciais para se conseguir concluir acerca da consolidação do seu poder sobre a Turquia”, acrescenta o analista da Loomis Sayles. Da gestora asseguram que “já se assistiu ao controlo que tem tido sobre os meios de comunicação, a sua resposta aos protestos e às acusações de corrupção, bem como a pressão exercida no governo relativamente ao Banco Central da Turquia para reverter os cortes das taxas implementados de emergência, levados a cabo no passado mês de janeiro, seguidos dos cortes nas taxas que continuaram durante os meses que antecederam a eleição, embora a inflação esteja acima do seu objectivo”.

Quais são os primeiros passos de Erdogan no seu novo mandato? Darcie Sunnenberg acredita que, no curto prazo, mostrará sinais de continuidade, “que se verá reforçada a menos que se produza alguma crise (geopolítica, reestruturação do gabinete, cenário de risk off)”. “No entanto, no médio e longo prazo as dúvidas irão permanecer”, continua o especialista referindo que “como em qualquer campo político, uma concentração de poder acompanhada de uma redução dos controles implica riscos negativos”. 

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