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Comissões baixas, elevada liquidez ou track record: o que é que o investidor institucional mais valoriza quando procura um fundo misto?


Os fundos mistos continuam a ser o tipo de produto mais procurado na Europa este ano. É uma tendência que alcança, inclusive, o investidor institucional cujo interesse pelas estratégias de multi-ativos tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. O que é que mais valorizam nestas estratégias? Um estudo realizado pela NN Investment Partners a mais de 100 investidores institucionais, a que a Funds People teve acesso, mostra que estes clientes consideram que comissões reduzidas e um elevado grau de liquidez nas estratégias multia-ativos são menos importantes do que uma trajetória de um investimento satisfatória. O estudo mostra que cerca de 46% classifica como importantes a redução das comissões e em cerca de 40% a liquidez. No entanto, a percentagem daqueles que estão dispostos a destacar a importância de um bom historial de geração de rentabilidade ajustada ao risco ascende a 63%. 

Além disso, três em cada quatro investidores institucionais (75%) assinalam a importância de um sólido processo de investimento numa estratégia multi-ativa, seguida de um historial satisfatório de rentabilidade ajustada ao risco (57%), da estabilidade da equipa investidora (56%), flexibilidade total para desinvestir em qualquer classe de ativo (45%) e exposição limitada a riscos de queda (44%). Segundo Valentijn van Nieuwenhuijzen, diretor de Estratégia Multi-ativos da NN IP, “as comissões e a liquidez são desde logo importantes para os investidores institucionais, mas a nossa análise revela que dão maior importância à geração de rendimentos a longo prazo. Quando investem em estratégias multi-ativos têm em conta distintos factores mas, em última análise, são pragmáticos: procuram gestoras de ativos que saibam manter-se em mercados financeiros cada vez mais complexos e tomar decisões acertadas para gerar rendimentos crescentes e constantes a longo prazo”.

A crescente pressão para gerar rendimentos estáveis está a levar os fundos de pensões a investir no sector multi-ativos global. Mais de três quartos (76%) partilham desta ideia, sendo que 12% está “muito de acordo”, segundo estudo. Para Valentijin van Nieiwenhuijzen, diretor de Estratégia Multi-ativos da NN IP, “a volatilidade do mercado pode ser muito problemática para os fundos de pensões, que têm de assegurar o pagamento fiel das pensões dos seus participantes durante décadas, e os resgates superiores a 10% num ano concreto não contribuem para isso. Os critérios cada vez mais rigorosos empregues para avaliar em que medida são cobertos os passivos, dificultam ainda mais a sua tarefa”. Em termos gerais, três em cada cinco investidores institucionais (60%) considera que o atual contexto de rentabilidades baixas implica que as estratégias multi-ativos sirvam de complemento às carteiras de obrigações, enquanto 13% está firmemente convicto disso.

A maioria prevê aumentar a exposição a fundos multi-ativos

Neste sentido, o estudo revela que 65% dos questionados prevê elevar, em geral, a sua exposição a estratégias multi-ativos ao longo dos próximos três anos, revelando também que em cada sete prevê que o façam de uma forma “extraordinária”. A forte preferência dos investidores pelos fundos multi-ativos foi confirmada por 75% dos questionados, que consideram as estratégias globais de multi-ativos como um bom investimento que gera valor. 14% dos questionados mostra-se muito de acordo com esse ponto de vista e apenas 4% discorda. Uma esmagadora maioria dos investidores institucionais está preocupada com o atual contexto de baixa rentabilidade, com a perspetiva de subida das taxas de juro e a persistente incerteza sobre os mercados emergentes. Concretamente, 93% estão inquietados com essas questões e 7% assegura estar “deveras preocupado”.

Para Nieuwenhuijzen, “os investidores têm muita coisa para se preocuparem nos mercados financeiros, embora seja muito chamativo o grau de preocupação demonstrado pela nossa análise. Atualmente, a atenção centra-se nas taxas de juro nos EUA, mas os mercados emergentes e a China continuam a representar problemas em específico. A mais longo prazo, as estratégias multi-ativos são uma opção para investidores que reconhecem as dificuldades proporcionadas pelos mercados financeiros, cada vez mais complexos e que precisam de uma análise de especialistas e de processos de investimento de primeira linha para gerar rendimentos constantes e crescentes. Num contexto de baixos retornos é interessante que a maioria também assinale que, embora importe utilizar as estratégias multi-ativos como complemento para as carteiras de obrigações, o enfoque de seleção ativa de valores de tais estratégias é válido para todas as classes de ativos”.

Uso nas carteiras

Quando questionados sobre o uso das estratégias multi-ativos, 45% dos questionados referiu que estas deveriam ser principalmente eixo da carteira, face aos 16% que assinala que as carteiras multi-ativos deveriam ser empregues como alocação alternativa para diversificar a carteira; já cerca de 15% considera-as como um “satélite” que acrescenta alfa à carteira, enquanto cerca de 14% entende que estas estratégias complementam as carteiras próprias geridas internamente. Entre os outros usos citados incluem-se a alocação alternativa (16%), satélite (15%) e como complemento a uma carteira multi-ativos própria, gerida internamente (14%).

“Como resultado da globalização, os mercados financeiros não deixam de ganhar em integração e complexidade. Isto propiciou um intercâmbio maior e mais instantâneo de informação, o que significa que os mercados reagem com uma rapidez e complexidade maiores do que antes. Perante estes desafios, não é de estranhar que os investidores prefiram delegar as decisões em equipas multi-ativos que contam com a tecnologia e a experiência necessárias para completar e processar esse volume de informação, tendo também capacidade para atuar rapidamente quando surgem oportunidades ou riscos”, afirma Nieuwenhuijzen.

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