Cinco gráficos para entender o significado do QE anunciado por Mario Draghi


O QE anunciado por Mario Draghi vai começar no próximo mês de Março e significará a compra, por parte do BCE, de 60.000 milhões de euros todos os meses de dívida pública e dívida corporativa, investment grade. O plano está previsto até ao final de setembro de 2016, ou até que a inflação esteja perto dos 2%. Em termos totais, o programa vai injetar 1,14 biliões de euros, assumindo uma estabilidade do programa até à dada final prevista. Espera-se que estas medidas empurrem o balanço do BCE para o pico anteriormente alcançado. O rácio mensal do QE aplicado pelo BCE será mais do dobro daquele que foi realizado nos EUA.

Mas... porquê agora? O que impulsionou o BCE a atuar agora em vez de o ter feito antes? A resposta, segundo a Fidelity WorldWide Investments, parece estar nas perspetivas de inflação e no risco, cada vez mais elevado, de que a Zona Euro poderá entrar numa espiral deflacionista. Esta é a principal preocupação. No entanto, há um segundo factor: a debilidade económica. O crescimento económico tem sido uma decepção. Mesmo com algumas economias, como a alemã ou a espanhola a recuperar bem, há um desajuste no ritmo da recuperação, com a França estagnada e a Itália em recessão. A isto há que somar as elevadas taxas de desemprego, que no caso da Zona Euro atinge os 11,5%, com o desemprego jovem (18-25 anos) a atingir os 23,7%.

A questão seguinte é descodificar o programa no que toca às diferentes classes de ativos. No caso das ações, a experiência passada mostra que um programa de QE resultou, de forma positiva, para os mercados, embora existam algumas discrepâncias sobre os efeitos que tem no crescimento. Apesar de ser evidente que uma recuperação real vinda do QE possa ser mista noutras regiões, a reação dos mercados de ações (EUA, Reino Unido ou Japão) tem sido boa. No gráfico seguinte, por exemplo, destaca-se a forma como o programa QE nos EUA teve uma resposta positiva do S&P500, que subiu nos períodos posteriores à implementação do mesmo.

Por último, o impacto que o QE poderá ter no mercado de obrigações. Estes mercados, possivelmente, sairão beneficiados pelo suporte contínuo por parte do BCE. No caso dos periféricos, como Espanha, por exemplo, o ‘plano Draghi’ irá supor um investimento de 100.000 milhões de euros em títulos de dívida soberana, o que significa a compra de 10% de toda a dívida emitida pelo Estado. A combinação de expectativas baixas de inflação e aumentos significativos do balanço dos bancos centrais sustentam que os mercados de obrigações, mantendo as rendibilidades sob pressão, e sem perspetivas de subida das taxas de juro, se vão manter em níveis baixos.

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