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Cenário de deflação afasta-se da Europa, enquanto situação no Reino Unido “fervilha”


A Europa parece ter o horizonte menos carregado de nuvens negras apesar de ainda se manter bastante nublado sobre Atenas. As obrigações europeias registam fortes subidas, com o mercado a alterar claramente o comportamento em relação às yields em mínimos históricos. A recente alteração de dinâmica procura/oferta no mercado reflecte em primeira instância a mudança no balanço do QE em compras de obrigações do BCE, que passou de -46B em abril para +45B em maio.

Este excesso de oferta é o factor principal para a queda do preço das obrigações que se está a verificar. O Bund é um exemplo paradigmático, registando uma subida na yield de 0.049% (registado a 17 de abril) para níveis acima dos 0.60%, com o mercado já a apontar para 1% como a próxima meta a atingir. Logicamente, Portugal e Irlanda seguem o mesmo caminho, com a dívida pública Portuguesa a bater máximos de três meses.

A excepção a esta regra de subida no preço das yields verifica-se na Grécia, que na ausência de sinais positivos que possam levar a um acordo com os credores Europeus, continua a descer, com o mercado expectante quanto ao resultado da reunião de 11 de maio do Eurogrupo.

Com o cenário de deflação afastado e com a previsão de crescimento na Zona Euro a apontar para 1.5%, o mercado deixou de olhar com apetite para as obrigações que caminhavam para terreno negativo, o que associado a um preço do petróleo mais elevado leva a uma procura de Euro e a uma queda do Dolar Americano.

A possibilidade de o cenário de deflação estar afastado da Zona Euro está intimamente relacionado com a subida registada no preço do petróleo, com o Euro a beneficiar, registando ganhos assinaláveis face ao Dolar.

Nos Estados Unidos, os initial claims continuam em níveis muito baixos (265k face ao mínimo de 15 anos registado na semana passada)  e abre o apetite quanto à publicação dos Non Farm Pyrolls de amanhã.

Um dado forte amanhã pode ser suficiente para fazer abrandar este recente estreitamento no spread entre os USD Treasuries e os German Bunds. Esse movimento pode ser ainda maior se esfriar o optimismo quanto a uma solução na Grécia.

A juntar a este cocktail de dados relevantes a ter em conta temos as eleições no Reino Unido, que prometem uma luta renhida pela vitória entre Trabalhistas e Conservadores, mas que aparentemente garantem que num futuro próximo, dada a quase certa impossibilidade de um governo maioritário, deve avançar um referendo sobre a presença na União Europeia.

 (Imagem: Matthew Sylvester, Flickr, Creative Commons)

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