Calcular bem os riscos e procurar a qualidade


Em 2015 o mundo irá transportar consigo alguns dos problemas já existentes em 2014. É o que refere o último relatório mensal elaborado pela equipa de Cross Asset Research do  BESI, que emite a visão da casa para o próximo ano, e onde refletem a ideia de que a economia global em 2015 terá um longo e difícil caminho pela frente, marcado por alguns “solavancos”.

EUA e Reino Unido no pelotão da recuperação económica

Claramente negativos na performance dos Mercados Emergentes, acreditam que os EUA e o Reino Unido aparecem no novo ano como “pontos” positivos no trilho da recuperação económica no período até 2016. A Zona Euro e o Japão, afirmam, surgem com os seus problemas que se podem denominar de quase seculares, e que têm de ser resolvidos nos próximos 2/3 anos. Há que olhar para os riscos consideráveis que ainda não são visíveis nestas situações, mas que “podem causar disrupções no atual estado de desequilíbrio global”.

Na perspetiva do banco de investimento, a China será a chave para quem está interessado no risco global em 2015. “Enquanto a China ainda está numa fase inicial de direcionamento para um mercado de capitais aberto e com liquidez, os riscos para a economia global estão mais relacionados com factores económicos reais”, escrevem.

Commodities: problema próximo

Outra das tendências que já se observam atualmente, é uma fase inicial de consolidação nas commodities, que foram impulsionadas pelo preço do petróleo no 4.º trimestre e 2014. Nesta área, a equipa de Cross Asset Research entende que pode estar uma fonte de muitos dos problemas para a economia global. Referem que as perspetivas mais fracas de crescimento dos Mercados Emergentes e a recuperação lenta dos Mercados Desenvolvidos criaram uma forte competição entre os produtores das matérias primas de forma a manter a sua quota de mercado. Desta forma, referem estar curtos no crédito relativo ao sector do petróleo em 2015.

Num balanço entre Mercados Desenvolvidos e Mercados Emergentes, inclinam-se para o melhor desempenho das regiões desenvolvidas, por causa da normalização da política monetária tanto dos EUA, como do Reino Unido, que “levará a uma redução das oportunidades de valorização das classes de ativos de maior risco, especialmente as que estão denominadas em moedas mais fracas”.

Sandra Utsumi e José Martins Soares, analistas responsáveis pelo relatório, acrescentam ainda no mesmo documento outras formas de se estar “seguro” em 2015. Enunciam que isso é possível, nomeadamente através de sectores defensivos, e sendo muito selectivo na Europa. “A busca da qualidade está a fazer-nos olhar para factores de crescimento sustentáveis no médio longo-prazo”, indicam. 

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