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Bull market é para continuar


A expressão “bull market” tem marcado os mercados nos últimos dias, sobretudo porque se comemorou no início do mês o quinto aniversário do atual crescimento dos mercados financeiros. Segundo o Market Watch, desde a segunda guerra mundial apenas seis "bull markets" chegaram ao seu quinto ano, sendo que a partir daí o resultado não tem levado uma tendência definida. O que poderemos esperar? Qual será o impacto dos Bancos Centrais na continuação desta tendência ascendente? Alguns profissionais da gestão de ativos aceitaram o repto da Funds People e responderam a esta questão.

 

António Serra,da Banif Gestão de Activos, acredita que este “ciclo económico poderá ser diferente dos anteriores”, depois de “termos passado por uma forte recessão, provocada por excessos na concessão de crédito e bolhas no mercado imobiliário”. Para o profissional do Banif “a recuperação tem sido bastante lenta. O papel dos bancos centrais, nomeadamente da Reserva Federal americana, tem sido crucial. Ao cortarem as taxas diretoras e ao expandirem os seus balanços, suportaram os processo de reestruturação das economias desenvolvidas, colocando as taxas de juro sem risco (em prazos curtos e longos) em níveis extraordinariamente baixos. A consequência disto foi a subida dos preços dos ativos financeiros. Uma vez que as políticas monetárias deverão continuar ultra-expansionistas, os mercados acionistas poderão continuar a valorizar-se. Determinante para isso será, sem dúvida, o processo de remoção dos estímulos, nomeadamente nos Estados Unidos”.

 

 

Fernando Nascimento, da CA Gest, afirma que “não há razões para acreditar que o atual bull market esteja próximo do fim. Apesar das interessantes valorizações no mercado acionista ainda não assistimos a uma entrada massiva do retalho nos fundos de ações, assim como está por se concretizar uma subida dos preços das matérias-primas e do imobiliário, movimentos que normalmente sinalizam o final destes ciclos.”

Já sobre as taxas de juro e as políticas dos bancos centrais, o especialista refere que o “crescimento ténue das economias desenvolvidas, o abrandamento da China e o excesso de capacidade instalada tem retirado pressões inflacionistas, o que continua a permitir aos bancos centrais conduzir politicas expansionistas que mantêm as taxas de juro a níveis muito baixos, direcionando os investidores para os ativos de risco superior, onde podem obter retornos mais elevados. 

Sem riscos inflacionistas não antevejo como próxima uma subida acentuada das taxas de juro que torne suficientemente apelativa para os investidores a troca de ações, nomeadamente aquelas que pagam dividendo, por obrigações e depósitos a prazo”.

 

 

 

Mais assertivo é Ricardo Santos, gestor de fundos na ESAF. O especialista acredita que “cada bull market tem a sua história e não acreditamos em predestinações estatísticas, muito menos na evolução do mercado de ações. O atual bull market explica-se pela fantástica evolução dos resultados das empresas após a crise de 2008. Aos 5 anos de subida do S&P500, correspondem 5 anos de expansão dos resultados das empresas”.

Sobre o futuro, o gestor acredita que vai “depende deste ponto: a normalização da economia americana que só agora está a acontecer. O desemprego volta agora para a casa dos 6%, a retoma das vendas de automóveis e do mercado imobiliário estão em curso, mas há um dado novo na economia americana:  o investimento. A retoma do investimento nos EUA, impulsionado pelos sector energético, está a acontecer e será este o vetor de expansão da economia americana para que esta volte a crescer acima dos 3% em termos reais”.

“Isso vai ter reflexos nas vendas e expansão de resultados das empresas, suportando a continuação do aumento de exposição em ações cujas valorizações ainda estão longe dos níveis que vimos em “bull markets” anteriores. As expectativas de crescimento de resultados das empresas americanas está apenas nos 9% para este ano, quando a economia claramente está a acelerar face aos anos anteriores”, continua.

Sobre os Bancos Centrais, o gestor da ESAF afirma que a “previsibilidade de atuação da Reserva Federal (FED) e a gestão que esta faça das expectativas é muito importante para a confiança dos agentes económicos mas o sucesso dos estímulos monetários começa a medir-se agora com a economia a voltar a crescer de forma mais significativa e disso dependerá a expansão dos resultados e longevidade deste “bull market”.

Sem querer menosprezar a atuação exemplar da Fed após 2008,  orientando a sua política para proporcionar a criação de emprego e acalmando o receios sistémicos do mercado, o papel do banco central agora será enquadrar as suas decisões de normalização de política monetária em virtude da recuperação das variáveis da economia”, conclui.

 

 

Já para Filipa Teixeira, Head of Research da Patris Gestão de Activos o bull market é para continuar. Os “bull markets caracterizam-se por optimismo, confiança dos investidores e expectativas de uma continuação de resultados fortes. É difícil prever consistentemente quando se vão alterar as tendências de mercado, contudo todos os indicadores macro apontam para que 2014 continue a ser um ano de forte performance nos mercados bolsistas”.

Já sobre o impacto dos bancos centrais na continuação do bull market, Filipa Teixeira acredita que estes “desempenham um papel importante, na medida da influência que terá a política monetária, contudo por trás de uma tendência positiva em mercado tem necessariamente que existir uma entrega real de resultados por parte das respectivas empresas. Para existirem lucros terá que se verificar um consumo acrescido e consistente, ajudado por um baixo nível de desemprego, o que por sua vez é alimentado pelo sucesso das referidas empresas”. 

Sobre os maiores riscos que põem em causa o bull market, Filipa Teixeira a “turbulência política em mercados emergentes, o risco geopolítico em particular na zona da Asia (leste), o risco político na China no contexto das reformas estruturais, e o recente tema geopolítico na Crimeia. Todos teriam que atingir contudo, um elevado grau de gravidade e contágio para alterar o rumo ascendente que se verifica de momento nos mercados acionistas”.

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