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Brasil: para onde vamos?


A indústria brasileira de fundos é a sexta maior do mundo com um total de ativos sob gestão que supera o bilião de dólares. Esta indústria tem-se caracterizado como bastante madura, centrada em ativos de renda fixa - com um peso histórico nesta classe de ativos de 56%, numa comparação feita pela ANBIMA, relativa ao primeiro trimestre deste ano - e tendo a nível global uma quota de mercado 4,10%. Os ativos sob gestão têm assistido um crescimento desde 2007 motivado pelo sentido de oportunidade que se via na economia brasileira e que hoje abrandou dados os resultados menos positivos demonstrados. Contudo, se a “indústria podia ter sido preguiçosa nos últimos anos devido a taxas de inflação e de juro elevadas que a tornaram concentrada nos ativos de renda fixa como títulos do governo”, referiu o Superintendente Geral da ANBIMA, o contexto atual é de mudança e a abertura ao exterior é inevitável.

Uma indústria que se abre gradualmente

O Brasil à semelhança de Portugal e Espanha tem uma indústria bancarizada e daí que um dos grandes desafios que se coloca seja a ampliação dos canais de distribuição. “Durante muito tempo, o negócio estava concentrado nos bancos e dirigido sobretudo ao investidor de varejo (retalho), mas agora o negócio está a tornar-se mais horizontal”, refere Doherty.

Atualmente, apenas os investidores muito qualificados podem investir todo o seu património no exterior. No que refere a fundos brasileiros, a limitação é de 10% do património em investimento fora do país. Esta percentagem sobe para 20% quando se tratam dos fundos multimercados (mistos) ou similares a hedge funds. Mas é importante notar que, no presente, o valor investido no exterior é muito baixo, apenas de 1,8% do património total da indústria.

Todavia, a realidade que se vive no último ano no Brasil é de uma crescente entrada de dinheiro nos fundos multimercados o que denuncia a busca pela diversificação e alternativas de investimento perante um cenário macroeconómico desafiante em que as taxas de juro deixaram de remunerar os investidores como no passado. A demonstrar já uma evolução, destaca o representante da ANBIMA, “até agora as limitações para o investimento no exterior não constituíam um problema, mas hoje os investidores brasileiros já investem mais fora, procurando a diversificação e alternativas de retorno”. Este movimento é natural e protagonizado, em primeiro lugar, pelos investidores qualificados. “Os investidores do varejo vão acompanhar mais tardiamente esta tendência de sair à procura de investimentos alternativos”, acrescenta.

Nesta lógica, Doherty salienta que “normalmente a exposição no exterior concentra-se em ativos dos Estados Unidos e ou Europa, embora se assista, hoje em dia, a um interesse maior por Ásia”. Isto levou a Funds People a questionar o expertise em ativos globais por parte dos gestores brasileiros. O Superintendente Geral da ANBIMA afirma que “hoje em dia existem 400 gestoras no país, face às 60 que existiam em 2006, sendo que a maioria das novas são gestoras independentes”. A BNY Mellon integra uma estrutura com independentes, é um desses exemplos. Doherty acredita que “ainda há margem para o desenvolvimento de mais entidades especializadas e independentes não só do lado da gestão como também na indústria de serviços a ela associada”.

Estas entidades internacionais acrescentam valor na medida em que trazem novas ideias, novos produtos e um know-how à partida “desconhecido” para muitos gestores brasileiros. Por exemplo “não há muitos gestores locais com expertise em Ásia nas várias classes de ativos e, dado o crescente interesse, desenvolver esse conhecimento e especialização será necessário e será feito através de players internacionais que estão a chegar ou já existem no mercado brasileiro”, explica Doherty.

Esta tendência de abertura é também visível no tipo de produtos. “As carteiras estão agora mais diversificadas tanto por tipo de ativos como tipo de fundos e está a crescer um interesse por fundos offshore e também UCITS”, assegura. Por exemplo, a chegada da BlackRock com a plataforma de ETFs é um dos casos mencionados para ilustrar a dita diversificação do produto existente atualmente nas carteiras.

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