BlackRock VS J.P.Morgan AM: visões opostas sobre as obrigações emergentes


A dívida de mercados emergentes está a oferecer rentabilidades sólidas este ano, que alcançam já os 15%. Vale a pena considerar ainda este classe de ativos? A BlackRock e a J.P.Morgan AM não estão de acordo.

Richard Turnill, diretor mundial de Estratégia de Investimento na BlackRock acredita que o momento das obrigações emergentes chegou. De facto, na entidade olham para a classe de ativos como uma fonte de receitas atrativa num mundo pós-Brexit. “As rentabilidades das obrigações emergentes continuam elevada, enquanto que nos mercados desenvolvidos as yields baixaram para terreno negativo. A dívida de mercados emergentes ofereceu durante um longo período receitas atrativas, mas os seus fundamentais débeis converteram-na numa aposta arriscada. Agora, esta classe de ativos está preparada para beneficiar da constante procura por rentabilidade por parte dos investidores, considerando que os três contratempos chave para este tipo de dívida se converteram num impulso para a mesma”, afirma.

Captura_de_ecra__2016-07-22__a_s_16O especialista refere-se à forte queda das expectativas de subidas de taxas por parte da Fed que aconteceu como resultado de três factores: o resultado do referendo celebrado no Reino Unido, as incertezas sobre a saúde da economia global e as próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Os outros aspetos que, na sua opinião, favorecem as obrigações emergentes são a recuperação dos preços do petróleo e o período de estabilização em que parece estar a entrar a economia chinesa. No entanto, para a J.P.Morgan AM, estes são argumentos suficientes para mudar a visão negativa sobre esta classe de ativos.

Segundo explica Lucía Gutiérrez-Mellado, subdiretora de estratégia da J.P.Morgan AM para a Ibéria, a casa de investimento está ainda bastante cautelosa nos mercados emergentes, algo que afeta tanto as obrigações como as ações. “É verdade que já não estamos tão negativos como estávamos há uns meses, mas nas carteiras mistas ainda estamos subponderados, tanto na parte das obrigações emergentes como nas ações emergentes. Atendendo às valorizações, é verdade que são muito mais atrativas do que nos mercados desenvolvidos, mas ainda nos parece que é cedo para entrar nesta classe de ativo”, revelava numa recente apresentação com jornalistas. De facto, na J.P.Morgan AM não aumentaram posições neste segmento de mercado.

Independentemente de quais sejam as opiniões das gestoras sobre o ativo, e da questão de se este é o momento mais idóneo para entrar, o que é facto é que o interesse dos investidores pelas obrigações emergentes está a aumentar. O volume de perguntas dos clientes está a aumentar de maneira muito significativa, o que se está a refletir num cada vez mais significativo volume de fluxos em direção a este tipo de ativo, tanto no que diz respeito à dívida soberana como ao crédito. É o que reconhecem à Funds People distintas gestoras consultadas. Por tipo de clientes, são os investidores institucionais os que se estão a mostrar mais decididos na hora de dar o primeiro passo. O motivo que está por detrás deste movimento é evidente: as obrigações emergentes converteram-se num segmento que não apresenta um risco tão assimétrico como a dívida de países desenvolvidos, mais ainda tendo em conta que as temidas subidas de taxas da Fed parece que não vão ter lugar... pelo menos curto prazo.

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