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BlackRock: As três mudanças que tem de realizar na sua carteira de forma a enfrentar o segundo trimestre


Terminado o primeiro trimestre é altura de fazer um balanço e confrontar as expetativas com a realidade. Russ Koesterich, estratega chefe da BlackRock, é um dos profissionais da indústria que fez este exercício e observa que, embora se tenham cumprido a maior parte das suas previsões, também aconteceram algumas surpresas, como por exemplo a queda contínua das taxas das obrigações ou o bom comportamento das bolsas europeias.

Na verdade o especialista assinala que um dos grandes temas que acabou por acontecer foi a divergência entre políticas monetárias, mas ao mesmo tempo observa que “esta dinâmica contribuiu para algumas surpresas em 2015”, como por exemplo a rápida apreciação do dólar, que por sua vez ajuda a compreender porque é que os títulos norte-americanos se comportaram pior do que os europeus e do que os japoneses.

É por estes motivos que o especialista optou por rever as suas previsões para o segundo trimestre do ano. Como resultado desta revisão aponta “três movimentos a considerar para se preparar para o capítulo seguinte da Era da Divergência”.

1.     Eleja valores em vez de obrigações, mas seja seletivo

“Na BlackRock continuamos a favorecer as ações face às obrigações, que estão ainda mais caras, e estamos pouco favoráveis em relação à liquidez, que oferece retornos próximos de zero. Mas dentro das ações continuamos a ser cautelosos em relação aos títulos com um comportamento similar ao das obrigações, como é o caso das utilities”, indica Koesterich. Refere-se em particular ao facto das empresas deste sector, tal como as obrigações, “estarem caras e serem extremamente sensíveis a uma mudança mínima nas taxas”.

Por outro lado, o estratega indica que os sectores onde encontra mais valor atualmente são aqueles que estão “posicionados para beneficiar do crescimento económico”, como é o caso das ações tecnológicas ou as empresas energéticas integradas, de grande tamanho.

2.     Procure oportunidades fora dos EUA

“O comportamento das bolsas durante este ano serve para recordar o porquê de fazer sentido considerar a inclusão de ações internacionais na carteira, afirma Koesterich. A expetativa da BlackRock é que as ações europeias e japonesas continuem a bater as norte-americanas em termos de rentabilidade, já que na Europa as valorizações são mais atrativas e, no Japão, o banco central está disposto a tomar mais medidas que beneficiem a bolsa. “Também continuamos a ver valor num determinado conjunto de mercados emergentes, a maioria na Ásia”, acrescenta o especialista. Dito isto esclarece que a previsão da empresa é que as ações norte-americanas continuem a subir “embora os lucros permaneçam apagados”, sendo que “esperamos volatilidade daqui para a frente”.

3.     Cuidado com as obrigações em que investe

Depois da última reunião do FOMC, Janet Yellen abriu a porta a novas especulações sobre se as taxas poderão subir pela primeira vez em junho ou setembro. A postura da BlackRock é de que este movimento acontecerá talvez no segundo semestre e “provavelmente causará um aumento da volatilidade na parte curta da curva”. E se para além disso as taxas continuarem baixas nas referências de maior duração, a conclusão é que “existem poucas pechinchas para os compradores de obrigações”. As oportunidades que a gestora americana detetou estão dentro do universo high yield e no segmento de obrigações municipais, especialmente as de maior vencimento. Para Koesterich, incorporar esta classe de dívida “pode ajudar a diversificar uma carteira, ao mesmo tempo que proporciona maiores oportunidades de crescimento”.  

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