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Bem-vindos a 2016: o mundo do investimento pelas lentes dos profissionais nacionais


 

Patris Gestão de Activos, Martim Amaral Neto

- Quais as vossas perspetivas para o próximo ano (regiões onde estão mais positivos, classes de ativos em que preveem uma maior aposta e quais os principais riscos que anteveem)?

No que toca  a classes de ativos estamos mais bullish em ações europa, high yield europa, emerging markets hard currency debt – com um maior foco nos prime names - em high yield EUA, e no Euro.

Relativamente aos riscos,  há que olhar para a China e para o potencial hard landing da economia, e ainda ter em conta a desaceleração económica/recessão dos EUA. Outro dos riscos terá que ver com uma crise nos mercados emergentes e a aceleração inesperada na inflação, sendo ainda importante monitorizar a Fed ver-se forçada a subir os juros 3-4 vezes. 

Popular Gestão de Activos, Paulo Gonçalves

- Quais as vossas perspetivas para o próximo ano (regiões onde estão mais positivos, classes de ativos em que preveem uma maior aposta e quais os principais riscos que anteveem)?

As regiões onde estamos mais positivos para 2016 são a Zona Euro e o Japão devido à continuação das políticas monetárias expansionistas por parte dos seus bancos centrais e do respectivo impacto que isso terá em termos da valorização dos ativos. Continuamos a preferir a classe de ativos acionista face à obrigacionista, devido à valorização relativa das mesmas e os principais riscos que antevemos para os mercados seriam, com um impacto de mais curto prazo, uma continuação das quedas fortes nos preços do petróleo e das restantes commodities, e com um impacto maior no médio e longo prazo, uma eventual subida de taxas por parte da FED muito mais rápida e agressiva do que aquela que os mercados esperam atualmente.

Santander Asset Management, André Braz

Quais as vossas perspetivas para o próximo ano (regiões onde estão mais positivos, classes de ativos em que preveem uma maior aposta e quais os principais riscos que anteveem)?

São cinco os principais temas para 2016. O primeiro deles tem a ver com o medo de estagnação de preços, que será desafiado pelo ciclo de crescimento económico em que nos encontramos. Em segundo lugar, a inflação ressurgirá lentamente, especialmente, nos Estados Unidos da América e no Reino Unido. Outro dos pontos que importa monitorizar tem a ver com os riscos económicos da China, que continuarão a pesar nas dinâmicas de crescimento dos Mercados Emergentes, enquanto que o risco de contágio financeiro será a preocupação nos Mercados Desenvolvidos. O quarto tema importante tem a ver com a divergência de políticas monetárias, que se deverá acentuar. Quer a FED, quer o Banco de Inglaterra, deverão subir taxas mais agressivamente do que o esperado pelo mercado, enquanto que o BCE deverá avançar para um QE open-ended. Por fim, os lucros empresariais continuarão a ser o driver de performance das acções. Dever-se-á estar exposto a regiões com margens operacionais crescentes e expectativas de mercado realistas (Europa e Japão) e acompanhar com atenção mercados cujo pico de margens já foi atingido (EUA).

Relativamente às oportunidades para o novo ano, destacamos o Leverage Operacional, em detrimento do Financeiro, que será o driver de retornos em 2016 na escolha de regiões para o investimento em acções. Aproveitar cíclicas baratas e evitar defensivas caras, pagando um preço razoável por yield. Outra das oportunidades passa pela Zona Euro. Vemos valor nesta região, com valorizações de longo prazo atraentes e uma política monetária acomodativa. Precisamos, no entanto, de uma materialização do Return on Equity. No novo ano, dever-se-á privilegiar o spread e não a duration. No segmento de High Yield, os ratings mais elevados e duration curta apresentam spreads interessantes, mas a uma saída rápida poderá ser recomendável. Também as estratégias de retorno absoluto e baixa volatilidade deverão bater o cash e obrigações governamentais, especialmente numa base risk ajusted. No campo das oportunidades, importa ainda referir que o dólar norte americano deverá permanecer na sua tendência de subida face às demais moedas. No que toca aos riscos para 2016, em primeiro lugar, sublinhamos os resultados empresariais nos EUA, que desiludem, com um abrandamento mais agressivo de margens. Outro dos abrandamentos preocupantes é o dos Mercados Emergentes, que tornando-se sistémico, resultará em mini crises, aversão generalizada dos investidores e efeito de contágio aos Mercados Desenvolvidos. Os outros dois riscos seguintes têm a ver com a integração da Zona Euro, que tem vindo a abrandar, afectando a concessão de crédito e fazendo retornar o risco de redenominação cambial, mas também com os eventos de volatilidade que acabarão por afastar os investidores dos mercados financeiros. Finalmente, outro dos riscos no novo ano tem que ver com a possibilidade da credibilidade dos Bancos Centrais falhar, com o mercado a ignorar as expectativas dos governadores da FED e a volatilidade no mercado de taxa de juro a aumentar.

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