Azad Zangana sobre a China: “O governo chinês não está preocupado com a figura dos acionistas, e devemos ter isso em mente”


Apesar de Azad Zangana ser Senior European Economist na Schroders, foi a falar sobre a China que o profissional iniciou a conversa com a Funds People Portugal, depois de ter sido um dos conferencistas na Lisbon Annual Client Conference , levada a cabo pela gestora internacional, no passado dia 2 de dezembro, no Hotel Ritz.

Sobre a China, Zangana fez questão de começar por dar conta das poucas certezas que têm relativamente à economia do país, muito embora a gestora internacional tenha uma forte presença neste mercado. “Para nós existem uma série de indefinições na China”, começou por dizer, clarificando que há sempre que ter em mente que a “economia chinesa não é uma economia capitalista de mercado, mas sim um sistema extremamente regulado, e muito controlado pelo Banco Central”.  Nesse sentido, as barreiras de atuação do governo são sempre difíceis de delimitar e prever. “Há sempre que ter em conta o que é que é politicamente aceitável na China. Será admissível em termos políticos a China ter um grande default, e uma crise significativa? Parece-me que não”, responde o economista.

De viagem à China recentemente, o sentimento principal extraído pelo profissional depois da visita a diversas fábricas, foi só um: a sensação de um excesso de capacidade nas organizações do país. “Os conceitos de emprego e solidariedade sobrepõem-se ao resto, e as autoridades colocam pressão nos empreendedores do Estado e nas empresas privadas, para que as pessoas mantenham o seu emprego”, explica.

O papel dos mercados para lá da China

A China, sublinha também, “tem levado a cabo uma política de ‘dumping’” (prática que consiste em vender um produto abaixo do seu preço normal) que no passado foi alvo de muitas discussões entre o país e os EUA e a Europa. “Existe sempre a ideia de uma desvantagem competitiva entre a China e as restantes economias, e o governo chinês sabe disso. Por exemplo, no Reino Unido, algumas das empresas produtoras deixaram de conseguir competir, e fecharam. Perante este tipo de situações a China apercebe-se que pode sair por cima e “ganhar”, afirma.

No que toca aos investimentos, toda esta situação clama por cuidado e cautela, principalmente quando se olha para as empresas do país. “O governo chinês não está preocupado com a figura dos acionistas, e temos de ter isso em mente. Se o governo se lembrar que tem de contratar mais empregados para uma empresa, fá-lo-á sem ter em consideração a rentabilidade. Isso faz-nos temer quando se pensa em investir numa determinada empresa”. Os próprios mercados e investidores  internacionais, diz, têm de ter um cuidado redobrado, para perceber que “tipo de empresas é que estão a competir com as empresas chinesas”.

Modelo de transição: faca de dois gumes

Na opinião de Zangana, o modelo de transição da economia chinesa pode ser suportado, num primeira fase, pelo facto da “China ter uma grande quantidade de recursos provenientes dos anos em que esteve a gerir superavit”. O problema, acontecerá, refere, quando “os agregados familiares começarem a mover-se para este modelo”.

Para 2016, o economista prevê uma desaceleração da economia chinesa para os 6,5%, apesar de existirem alguns “estímulos fiscais que podem tornar essa desaceleração menos acentuada”.  

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